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DISCURSOS DO
PAPA BENTO XVI
DURANTE A VISITA AO BRASIL (maio/2007)
Discurso do papa Bento
XVI(1) no encontro com o Presidente Lula
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Discurso do Papa Bento
XVI(2)
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(3) aos jovens no Pacaembu
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(4) no Campo de Marte
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(5) aos Bispos em São Paulo
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(6) Saudação na Fazenda da Esperança
sábado, 12 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(7) Encontro na Fazenda da Esperança
sábado, 12 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(8) na Basílica de Aparecida
sábado, 12 de maio de 2007
Discurso do papa Bento
XVI(9) Saudação: Missa em Aparecida
domingo, 13 de maio de 2007
Discurso do papa
Bento XVI(10) em Aparecida
domingo, 13 de maio de 2007
Homilia de Bento
XVI: celebração de abertura da V Conferência
domingo, 13 de maio de 2007
Discurso
do papa Bento XVI(11) na abertura da V Conferência
domingo, 13 de maio de
2007
quarta: 09 de maio de 2007
Excelentíssimo
Senhor Presidente da República
Senhores Cardeais
e Venerados Irmãos no Episcopado
Queridos Irmãos
e Irmãs em Cristo!
1.
É para mim motivo de particular satisfação iniciar a minha Visita
Pastoral ao Brasil e apresentar a Vossa Excelência, na sua qualidade
de Chefe e representante supremo da grande Nação brasileira, os
meus agradecimentos pela amável acolhida que me foi dispensada.
Um agradecimento que estendo, com muito prazer, aos membros do Governo
que acompanham Vossa Excelência, às personalidades civis e militares
aqui reunidas e às autoridades do Estado de São Paulo. Nas palavras
de boas-vindas a mim dirigidas, sinto ecoar, Senhor Presidente,
os sentimentos de carinho e amor de todo o Povo brasileiro para
com o Sucessor do Apóstolo Pedro.
Saúdo fraternalmente no Senhor os meus queridos Irmãos no Episcopado
que aqui vieram para me receber em nome da Igreja que está no Brasil.
Saúdo igualmente os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os
seminaristas e os leigos comprometidos com a obra de evangelização
da Igreja e com o testemunho de uma vida autenticamente cristã.
Enfim, dirijo a minha afetuosa saudação a todos os brasileiros sem
distinção, homens e mulheres, famílias, anciãos, enfermos, jovens
e crianças. A todos digo de coração: Muito obrigado pela vossa generosa
hospitalidade!
2.
O Brasil ocupa um lugar muito especial no coração do Papa não somente
porque nasceu cristão e possui hoje o mais alto número de católicos,
mas sobretudo porque é uma nação rica de potencialidades com uma
presença eclesial que é motivo de alegria e esperança para toda
a Igreja. A minha visita, Senhor Presidente, tem um objetivo que
ultrapassa as fronteiras nacionais: venho para presidir, em Aparecida,
a sessão de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano
e Caribenho. Por uma providencial manifestação da bondade do Criador,
este País deverá servir de berço para as propostas eclesiais que,
Deus queira, poderão dar um novo vigor e impulso missionário a este
Continente.
3.
Nesta área geográfica os católicos são a maioria: isto significa
que eles devem contribuir de modo particular ao serviço do bem comum
desta Nação. A solidariedade será, sem dúvida, palavra cheia de
conteúdo quando as forças vivas da sociedade, cada qual dentro do
seu próprio âmbito, se empenharem seriamente para construir um futuro
de paz e de esperança para todos.
A Igreja Católica - como coloquei em evidência na Encíclica
Deus caritas est - "transformada pela força do Espírito
é chamada para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer
fazer da humanidade uma única família, em seu Filho" (cf. 19).
Daí o seu profundo compromisso com a missão evangelizadora, a serviço
da causa da paz e da justiça. A decisão, portanto, de realizar uma
Conferência essencialmente missionária, bem reflete a preocupação
do episcopado, e não menos a minha, de procurar caminhos adequados
para que, em Jesus Cristo, os "nossos povos tenham vida",
como reza o tema da Conferência. Com esses sentimentos, quero
olhar para além das fronteiras deste País e saudar todos os povos
da América Latina e do Caribe desejando, com as palavras do Apóstolo,
"Que a paz esteja com todos vós que estais em Cristo"
(1Pt 5,14).
4.
Sou grato, Senhor Presidente, à Divina Providência que me concede
a graça de visitar o Brasil, um País de grande tradição católica.
Já tive a oportunidade de referir o motivo principal da minha viagem
que tem um alcance latino-americano e um caráter essencialmente
religioso.
Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros.
Sei que a alma deste Povo, bem como de toda a América Latina, conserva
valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou
certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado,
será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida,
desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência
própria da natureza humana; fará também da promoção da pessoa humana
o eixo da solidariedade, especialmente com os pobres e desamparados.
A Igreja quer apenas indicar os valores morais de cada situação
e formar os cidadãos para que possam decidir consciente e livremente;
neste sentido, não deixará de insistir no empenho que deverá ser
dado para assegurar o fortalecimento da família - como célula mãe
da sociedade; da juventude - cuja formação constitui um fator decisivo
para o futuro de uma Nação - e, finalmente, mas não por último,
defendendo e promovendo os valores subjacentes em todos os segmentos
da sociedade, especialmente dos povos indígenas.
5.
Com estes auspícios, ao renovar os meus agradecimentos pela calorosa
acolhida que, como Sucessor de Pedro, sou objeto, invoco a proteção
materna de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, evocada também
como Nuestra Señora de Guadalupe, Padroeira das Américas,
para que proteja e inspire os governantes na árdua tarefa de serem
promotores do bem comum, reforçando os laços de fraternidade cristã
para o bem de todos os seus cidadãos. Deus abençoe a América Latina!
Deus abençoe o Brasil! Muito obrigado.
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quarta: 09 de maio de 2007
Queridos amigos!
Esta acolhida tão calorosa comove o Papa! Obrigado, por terem querido
aguardar-me.
Estes dias para todos vocês e para a Igreja estarão cheios de emoções
e de alegrias.
É uma Igreja em Festa! De todos os cantos do mundo estão rezando
pelos frutos desta Viagem, a primeira Viagem Pastoral ao Brasil
e à América Latina que a Providência me permite realizar como Sucessor
de Pedro!
A Canonização do Frei Galvão e a Inauguração da Quinta Conferência
Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho serão marcos históricos
para a Igreja. Conto com vocês e com suas orações!
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quinta: 10 de maio de 2007
BRASIL - SÃO
PAULO - 10.05.2007
Pacaembu
Encontro
com os jovens
Queridos
jovens! Queridos amigos e amigas!
«Se
queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos
pobres [...] Depois, vem e segue-me» (Mt 19,21).
1.
Desejei ardentemente encontrar-me convosco nesta minha primeira
viagem à América Latina. Vim para abrir a V Conferência do Episcopado
Latino-americano que, por meu desejo, vai realizar-se em Aparecida,
aqui no Brasil, no Santuário de Nossa Senhora. Ela nos coloca aos
pés de Jesus para aprendermos suas lições sobre o Reino e impulsionar-nos
a ser seus missionários, para que os povos deste “Continente da
Esperança” tenham, n’Ele, vida plena.
Os
vossos Bispos do Brasil, na sua Assembléia Geral do ano passado,
refletiram sobre o tema da evangelização da juventude e colocaram
em vossas mãos um documento. Pediram que fosse acolhido e aperfeiçoado
por vós durante todo o ano. Nesta última Assembléia retomaram o
assunto, enriquecido com vossa colaboração, e desejam que as reflexões
feitas e as orientações propostas sirvam como incentivo e farol
para vossa caminhada. As palavras do Arcebispo de São Paulo e do
encarregado da Pastoral da Juventude, as quais agradeço, bem atestam
o espírito que move a todos vocês.
Ontem
pela tarde, ao sobrevoar o território brasileiro, pensava já neste
nosso encontro no Estádio do Pacaembu, com o desejo de dar um grande
abraço bem brasileiro a todos vós, e manifestar os sentimentos que
levo no íntimo do coração e que, bem a propósito, o Evangelho de
hoje nos quis indicar.
Sempre
experimentei uma alegria muito especial nestes encontros. Lembro-me
particularmente da Vigésima
Jornada Mundial da Juventude,
que tive a ocasião de presidir há dois anos atrás na Alemanha. Alguns
dos que estão aqui também lá estiveram! É uma lembrança comovedora,
pelos abundantes frutos da graça enviados pelo Senhor. E não resta
a menor dúvida que o primeiro fruto, dentre muitos, que pude constatar
foi o da fraternidade exemplar havida entre todos, como demonstração
evidente da perene vitalidade da Igreja por todo o mundo.
2.
Pois bem, caros amigos, estou certo de que hoje se renovam as mesmas
impressões daquele meu encontro na Alemanha. Em 1991, o Servo de
Deus o Papa João Paulo II, de venerada memória, dizia, na sua passagem
pelo Mato Grosso, que os “jovens são os primeiros protagonistas
do terceiro milênio [...] são vocês que vão traçar os rumos desta
nova etapa da humanidade” (Discurso 16/10/1991). Hoje, sinto-me
movido a fazer-lhes idêntica observação.
O
Senhor aprecia, sem dúvida, vossa vivência cristã nas numerosas
comunidades paroquiais e nas pequenas comunidades eclesiais, nas
Universidades, Colégios e Escolas e, especialmente, nas ruas e nos
ambientes de trabalho das cidades e dos campos. Trata-se, porém,
de ir adiante. Nunca podemos dizer basta, pois a caridade de Deus
é infinita e o Senhor nos pede, ou melhor, nos exige dilatar nossos
corações para que neles caiba sempre mais amor, mais bondade, mais
compreensão pelos nossos semelhantes e pelos problemas que envolvem
não só a convivência humana, mas também a efetiva preservação e
conservação da natureza, da qual todos fazem parte. “Nossos bosques
têm mais vida”: não deixeis que se apague esta chama de esperança
que o vosso Hino Nacional põe em vossos lábios. A devastação ambiental
da Amazônia e as ameaças à dignidade humana de suas populações requerem
um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação que a sociedade
vem solicitando.
3.
Hoje quero convosco refletir sobre o texto de São Mateus (19, 16-22),
que acabamos de ouvir. Fala de um jovem. Ele veio correndo ao encontro
de Jesus. Merece destaque a sua ânsia. Neste jovem vejo a todos
vós, jovens do Brasil e da América Latina. Viestes correndo de diversas
regiões deste Continente para nosso encontro. Quereis ouvir, pela
voz do Papa, as palavras do próprio Jesus.
Tendes
uma pergunta crucial, referida no Evangelho, a Lhe fazer. É a mesma
do jovem que veio correndo ao encontro com Jesus: o que fazer
para alcançar a vida eterna? Gostaria de aprofundar convosco
esta pergunta. Trata-se da vida. A vida que, em vós, é exuberante
e bela. O que fazer dela? Como vivê-la plenamente?
Logo
entendemos, na formulação da própria pergunta, que não basta o aqui
e agora, ou seja, nós não conseguimos delimitar nossa vida ao espaço
e ao tempo, por mais que pretendamos estender seus horizontes. A
vida os transcende. Em outras palavras, queremos viver e não morrer.
Sentimos que algo nos revela que a vida é eterna e que é necessário
empenhar-se para que isto aconteça. Em outras palavras, ela está
em nossas mãos e depende, de algum modo, da nossa decisão.
A
pergunta do Evangelho não contempla apenas o futuro. Não trata apenas
de uma questão sobre o que acontecerá após a morte. Há, ao contrário,
um compromisso com o presente, aqui e agora, que deve garantir autenticidade
e conseqüentemente o futuro. Numa palavra, a pergunta questiona
o sentido da vida. Pode por isso ser formulada assim: que devo fazer
para que minha vida tenha sentido? Ou seja: como devo viver para
colher plenamente os frutos da vida? Ou ainda: que devo fazer para
que minha vida não transcorra inutilmente? Jesus é o único capaz
de nos dar uma resposta, porque é o único que nos pode garantir
vida eterna. Por isso também é o único que consegue mostrar o sentido
da vida presente e dar-lhe um conteúdo de plenitude.
4.
Antes, porém, de dar sua resposta, Jesus questiona a pergunta do
jovem num aspecto muito importante: por que me chamas de bom? Nesta
pergunta se encontra a chave da resposta. Aquele jovem percebeu
que Jesus é bom e que é mestre. Um mestre que não engana. Nós estamos
aqui porque temos esta mesma convicção: Jesus é bom. Podemos não
saber dar toda a razão desta percepção, mas é certo que ela nos
aproxima dele e nos abre ao seu ensinamento: um mestre bom. Quem
reconhece o bem é sinal que ama. E quem ama, na feliz expressão
de São João, conhece Deus (cf.1Jo 4,7). O jovem do Evangelho
teve uma percepção de Deus em Jesus Cristo.
Jesus
nos garante que só Deus é bom. Estar aberto à bondade significa
acolher Deus. Assim Ele nos convida a ver Deus em todas as coisas
e em todos os acontecimentos, mesmo lá onde a maioria só vê a ausência
de Deus. Vendo a beleza das criaturas e constatando a bondade presente
em todas elas, é impossível não crer em Deus e não fazer uma experiência
de sua presença salvífica e consoladora. Se nós conseguíssemos ver
todo o bem que existe no mundo e, ainda mais, experimentar o bem
que provém do próprio Deus, não cessaríamos jamais de nos aproximar
dele, de O louvar e Lhe agradecer. Ele continuamente nos enche de
alegria e de bens. Sua alegria é nossa força. Mas nós não conhecemos
senão de forma parcial. Para perceber o bem necessitamos de auxílios,
que a Igreja nos proporciona em muitas oportunidades, principalmente
pela catequese. Jesus mesmo explicita o que é bom para nós, dando-nos
sua primeira catequese. «Se queres entrar na vida, observa
os mandamentos» (Mt 19,17). Ele parte do conhecimento
que o jovem já obteve certamente de sua família e da Sinagoga: de
fato, ele conhece os mandamentos. Eles conduzem à vida, o que equivale
a dizer que eles nos garantem autenticidade. São as grandes balizas
a nos apontarem o caminho certo. Quem observa os mandamentos está
no caminho de Deus.
Não
basta conhecê-los. O testemunho vale mais que a ciência, ou seja,
é a própria ciência aplicada. Não são impostos de fora, nem diminuem
nossa liberdade. Pelo contrário: constituem impulsos internos vigorosos,
que nos levam a agir nesta direção. Na sua base está a graça e a
natureza, que não nos deixam parados. Precisamos caminhar. Somos
impelidos a fazer algo para nos realizarmos a nós mesmos. Realizar-se,
através da ação, na verdade, é tornar-se real. Nós somos, em grande
parte, a partir de nossa juventude, o que nós queremos ser. Somos,
por assim dizer, obra de nossas mãos.
5.
Nesta altura volto-me, de novo, para vós, jovens, querendo ouvir
também de vós a resposta do jovem do Evangelho: tudo isto tenho
observado desde a minha juventude. O jovem do Evangelho era bom.
Observava os mandamentos. Estava pois no caminho de Deus. Por isso
Jesus fitou-o com amor. Ao reconhecer que Jesus era bom, testemunhou
que também ele era bom. Tinha uma experiência da bondade e por isso,
de Deus. E vós, jovens do Brasil e da América Latina? Já descobristes
o que é bom? Seguis os mandamentos do Senhor? Descobristes que este
é o verdadeiro e único caminho para a felicidade?
Os
anos que vós estais vivendo são os anos que preparam o vosso futuro.
O “amanhã” depende muito de como estais vivendo o “hoje” da juventude.
Diante dos olhos, meus queridos jovens, tendes uma vida que desejamos
seja longa; mas é uma só, é única: não a deixeis passar em vão,
não a desperdiceis. Vivei com entusiasmo, com alegria, mas, sobretudo,
com senso de responsabilidade.
Muitas
vezes sentimos trepidar nossos corações de pastores, constatando
a situação de nosso tempo. Ouvimos falar dos medos da juventude
de hoje. Revelam-nos um enorme déficit de esperança: medo de morrer,
num momento em que a vida está desabrochando e procura encontrar
o próprio caminho da realização; medo de sobrar, por não descobrir
o sentido da vida; e medo de ficar desconectado diante da estonteante
rapidez dos acontecimentos e das comunicações. Registramos o alto
índice de mortes entre os jovens, a ameaça da violência, a deplorável
proliferação das drogas que sacode até a raiz mais profunda a juventude
de hoje. Fala-se por isso, seguidamente, de uma juventude perdida.
Mas olhando para vós, jovens aqui presentes, que irradiais alegria
e entusiasmo, assumo o olhar de Jesus: um olhar de amor e confiança,
na certeza de que vós encontrastes o verdadeiro caminho. Sois jovens
da Igreja. Por isso Eu vos envio para a grande missão de evangelizar
os jovens e as jovens, que andam por este mundo errantes, como ovelhas
sem pastor.
Sede
os apóstolos dos jovens.
Convidai-os para que venham convosco, façam a mesma experiência
de fé, de esperança e de amor; encontrem-se com Jesus, para se sentirem
realmente amados, acolhidos, com plena possibilidade de realizar-se.
Que também eles e elas descubram os caminhos seguros dos Mandamentos
e por eles cheguem até Deus. Podeis ser protagonistas de uma sociedade
nova se procurais pôr em prática uma vivência real inspirada nos
valores morais universais, mas também um empenho pessoal de formação
humana e espiritual de vital importância. Um homem ou uma mulher
despreparados para os desafios reais de uma correta interpretação
da vida cristã do seu meio ambiente será presa fácil a todos os
assaltos do materialismo e do laicismo, sempre mais atuantes em
todos os níveis. Sede homens e mulheres livres e responsáveis; fazei
da família um foco irradiador de paz e de alegria; sede promotores
da vida, do início ao seu natural declínio; amparai os anciãos,
pois eles merecem respeito e admiração pelo bem que vos fizeram.
O Papa também espera que os jovens procurem santificar seu trabalho,
fazendo-o com competência técnica e com laboriosidade, para contribuir
ao progresso de todos os seus irmãos e para iluminar com a luz do
Verbo todas as atividades humanas (cf. Lumen Gentium, n.
36). Mas, sobretudo, o Papa espera que saibam ser protagonistas
de uma sociedade mais justa e mais fraterna, cumprindo as obrigações
frente ao Estado: respeitando as suas leis; não se deixando levar
pelo ódio e pela violência; sendo exemplo de conduta cristã no ambiente
profissional e social, distinguindo-se pela honestidade nas relações
sociais e profissionais. Tenham em conta que a ambição desmedida
de riqueza e de poder leva à corrupção pessoal e alheia; não existem
motivos para fazer prevalecer as próprias aspirações humanas, sejam
elas econômicas ou políticas, com a fraude e o engano.
Definitivamente,
existe um imenso panorama de ação no qual as questões de ordem social,
econômica e política ganham um particular relevo, sempre que haurirem
sua fonte de inspiração no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja.
A
construção de uma sociedade mais justa e solidária, reconciliada
e pacífica; a contenção da violência e as iniciativas que promovam
a vida plena, a ordem democrática e o bem comum e, especialmente,
aquelas que visem eliminar certas discriminações existentes nas
sociedades latino-americanas e não são motivo de exclusão, mas de
recíproco enriquecimento. Tende, sobretudo, um grande respeito pela
instituição do Sacramento do Matrimônio. Não poderá haver verdadeira
felicidade nos lares se, ao mesmo tempo, não houver fidelidade entre
os esposos. O matrimônio é uma instituição de direito natural, que
foi elevado por Cristo à dignidade de Sacramento; é um grande dom
que Deus fez à humanidade. Respeitai-o, venerai-o. Ao mesmo tempo,
Deus vos chama a respeitar-vos também no namoro e no noivado, pois
a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados
é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberdes
fazer da castidade, dentro e fora do matrimônio, um baluarte das
vossas esperanças futuras. Repito aqui para todos vós que «o eros
quer nos conduzir para além de nós próprios, para Deus, mas
por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações
e saneamentos» (Carta encl. Deus caritas est, (25/12/2005),
n. 5). Em poucas palavras, requer espírito de sacrifício e de renúncia
por um bem maior, que é precisamente o amor de Deus sobre todas
as coisas. Procurai resistir com fortaleza às insídias do mal existente
em muitos ambientes, que vos leva a uma vida dissoluta, paradoxalmente
vazia, ao fazer perder o bem precioso da vossa liberdade e da vossa
verdadeira felicidade. O amor verdadeiro “procurará sempre mais
a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á
e desejará existir para o outro” (Ib. n. 7) e, por isso,
será sempre mais fiel, indissolúvel e fecundo. Para isso, contais
com a ajuda de Jesus Cristo que, com a sua graça, fará isto possível
(cf. Mt 19,26). A vida de fé e de oração vos conduzirá pelos
caminhos da intimidade com Deus, e de compreensão da grandeza dos
planos que Ele tem para cada um. “Por amor do reino dos céus” (ib.,
12), alguns são chamados a uma entrega total e definitiva, para
consagrar-se a Deus na vida religiosa, “exímio dom da graça”,
como foi definido pelo Concílio Vaticano II (Decr. Perfectae
caritatis,
n.12). Os
consagrados que se entregam totalmente a Deus, sob a moção do Espírito
Santo, participam na missão de Igreja, testemunhando a esperança
no Reino celeste entre todos os homens. Por isso, abençôo e invoco
a proteção divina a todos os religiosos que dentro da seara do Senhor
se dedicam a Cristo e aos irmãos. As pessoas consagradas merecem,
verdadeiramente, a gratidão da comunidade eclesial: monges e monjas,
contemplativos e contemplativas, religiosos e religiosas dedicados
às obras de apostolado, membros de institutos seculares e das sociedades
de vida apostólica, eremitas e virgens consagradas. “A sua existência
dá testemunho do amor a Cristo quando eles se encaminham pelo seu
seguimento, tal como este se propõe no Evangelho e, com íntima alegria,
assumem o mesmo estilo de vida que Ele escolheu para Si” (Congr.
para os Inst. de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica:
Instr. Partir de Cristo, n. 5). Faço votos de que, neste
momento de graça e de profunda comunhão em Cristo, o Espírito Santo
desperte no coração de tantos jovens um amor apaixonado no seguimento
e imitação de Jesus Cristo casto, pobre e obediente, voltado completamente
à glória do Pai e ao amor dos irmãos e irmãs.
6.
O Evangelho nos assegura que aquele jovem, que veio correndo ao
encontro de Jesus, era muito rico. Entendemos esta riqueza não apenas
no plano material. A própria juventude é uma riqueza singular. É
preciso descobri-la e valorizá-la.
Jesus
lhe deu tal valor que convidou esse jovem para participar de sua
missão de salvação. Tinha todas as
condições para uma grande realização e uma
grande obra.
Mas
o Evangelho nos refere que esse jovem se entristeceu com o convite.
Foi embora abatido e triste. Este episódio nos faz refletir mais
uma vez sobre a riqueza da juventude. Não se trata, em primeiro
lugar, de bens materiais, mas da própria vida, com os valores inerentes
à juventude. Provém de uma dupla herança: a vida, transmitida de
geração em geração, em cuja origem primeira está Deus, cheio de
sabedoria e de amor; e a educação que nos insere na cultura, a tal
ponto que, em certo sentido, podemos dizer que somos mais filhos
da cultura e por isso da fé, do que da natureza. Da vida brota a
liberdade que, sobretudo nesta fase se manifesta como responsabilidade.
E o grande momento da decisão, numa dupla opção: uma quanto ao estado
de vida e outra quanto à profissão. Responde à questão: que fazer
com a vida?
Em
outras palavras, a juventude se afigura como uma riqueza porque
leva à descoberta da vida como um dom e como uma tarefa. O jovem
do Evangelho percebeu a riqueza de sua juventude. Foi até Jesus,
o Bom Mestre, para buscar uma orientação. Mas na hora da grande
opção não teve coragem de apostar tudo em Jesus Cristo. Conseqüentemente
saiu dali triste e abatido. É o que acontece todas as vezes que
nossas decisões fraquejam e se tornam mesquinhas e interesseiras.
Sentiu que faltou generosidade, o que não lhe permitiu uma realização
plena. Fechou-se sobre sua riqueza, tornando-a egoísta.
Jesus
ressentiu-se com a tristeza e a mesquinhez do jovem que o viera
procurar. Os Apóstolos, como todos e todas vós hoje, preenchem esta
lacuna deixada por aquele jovem que se retirou triste e abatido.
Eles e nós estamos alegres porque sabemos em quem acreditamos (2
Tim 1,12). Sabemos e testemunhamos com nossa própria vida
que só Ele tem palavras de vida eterna (Jo 6,68). Por isso,
com São Paulo, podemos exclamar: alegrai-vos sempre no Senhor (Fil
4,4). 7. Meu apelo de hoje, a vós jovens, que viestes a este
encontro, é que não desperdiceis vossa juventude. Não tenteis
fugir dela. Vivei-a intensamente. Consagrai-a aos elevados ideais
da fé e da solidariedade humana. Vós, jovens, não sois apenas o
futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente.
Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade.
Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para
manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade
cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada.
Queridos
jóvenes, dentro de poco inauguraré la Quinta Conferencia del Episcopado
Latinoamericano. Os pido que sigáis con atención sus trabajos;
que participéis en sus debates; que recéis por sus frutos. Como
ocurrió con las Conferencias anteriores, también ésta marcará de
modo significativo los próximos diez años de Evangelización en América
Latina y en el Caribe. Nadie debe quedar al margen o permanecer
indiferente ante este esfuerzo de la Iglesia, y mucho menos los
jóvenes. Vosotros con todo derecho formáis parte de la Iglesia,
la cual representa el rostro de Jesucristo para América Latina y
el Caribe.
Je
salue les francophones qui vivent sur le Continent latino-américain,
les invitant à être des témoins de l’Évangile et des acteurs de
la vie ecclésiale. Ma prière vous rejoint tout particulièrement,
vous les jeunes, vous êtes appelés à construire votre vie sur le
Christ et sur les valeurs humaines fondamentales. Que
tous se sentent invités à collaborer pour édifier un monde de justice
et de paix.
Dear
young friends, like the young man in the Gospel, who asked Jesus
“what must I do to have eternal life?”, all of you are searching
for ways of responding generously to God’s call. I pray that you
may hear his saving word and become his witnesses to the people
of today. May God pour out upon all of you his blessings of peace
and joy.
Queridos
jovens, Cristo vos chama a serem santos. Ele mesmo vos convoca e
quer andar convosco, para animar com Seu espírito os passos do Brasil
neste início do terceiro milênio da era cristã. Peço à Senhora Aparecida
que vos conduza, com seu auxílio materno e vos acompanhe ao longo
da vida.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
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sexta: 11 de maio de 2007
BRASIL - SÃO PAULO - 11.05.2007
Campo de Marte
Santa Missa
Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,
«Bendirei
continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará meus lábios»
[Sl 33,2]
1. Alegremos-nos
no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de
Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um
vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado
no Santo Sacrifício do Altar. Sim, não deixemos de louvar ao nosso
Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos
ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas.
Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do
seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido
a graça da Canonização do Frei Antonio de Sant’Anna Galvão. Quero
agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, que
foi a voz de todos vós. Agradeço a presença de cada um e de cada
uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos de outras
cidades e nações. Alegro-me que através dos meios de comunicação,
minhas palavras e as expressões do meu afeto possam entrar em cada
casa e em cada coração. Tenham certeza: o Papa vos ama, e vos ama
porque Jesus Cristo vos ama. Nesta solene celebração eucarística
foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande
enlevo, proclama: «Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste
aos pequenos» (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque
a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada
na liturgia que hoje a Igreja nos oferece. Saúdo com afeto, a toda
a comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas
que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade
e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.
2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo
poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em
tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente
vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho
de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador
das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição
de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.
Deus vem ao nosso encontro, “procura conquistar-nos - até à Última
Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as
grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou
o caminho da Igreja nascente” (Carta encl. Deus caritas est,
17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente
da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente
eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um
sinal visível da sua presença. Quando contemplarmos na Santa Missa
o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração
do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório
renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão
em “laus perennis”, em atitude constante de adoração. Na
Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja,
ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do
Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida
aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus
pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos.
Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros
ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos
que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda
obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber
e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo
acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo
recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de
todo pecado grave.
3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade
para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de
fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade
especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as
confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica
de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por
isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo.
A Irmã Helena Maria, que foi a primeira “recolhida” destinada
a dar início ao “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição”,
testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: “Rezai para que Deus
Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo
miserável das culpas em que se encontram”. Possa essa delicada
advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia
divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e
para a paz das nossas consciências.
4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados
com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que
o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo
encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade
de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De
elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado
de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no
final do século XVIII, definindo Frei Galvão como “homem de paz
e de caridade”. Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros
como eu vos amo». Mas logo a seguir acrescenta: que «deis
fruto e o vosso fruto permaneça» (cf. Jo 15, 12.16).
E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos
no exemplo do Santo de Guaratinguetá?
A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda
a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente.
Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.
Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem
redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida
por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até entregar
sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos
na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais
se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam
em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama
amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de dar
a vida proporcionada por Jesus com sua graça.
Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano
terá como tema básico: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo,
para que nele nossos povos tenham vida”. Como não ver então
a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder
generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina
está chamada a enfrentar?
5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e
eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt
11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige.
Como não ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno,
de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa,
se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão,
assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição.
Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em
seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original,
quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador.
Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como
instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.
De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à Mãe
de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre
e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas
espirituais. Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir
deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa
época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula
de consagração da sua castidade: “tirai-me antes a vida que ofender
o vosso bendito Filho, meu Senhor”. São palavras fortes, de
uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de
cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos
de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa
de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem
ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não
àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade
do matrimônio e a virgindade antes do casamento.
É neste momento
que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que
afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção
maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa
presença da Virgem Puríssima, quando invocarmos proteção e auxílio
à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a
vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de
todos os vocacionados para a vida religiosa.
6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de
Oração de Marienfeld na Alemanha: diante de uma
multidão de jovens, quis definir os santos da nossa época
como verdadeiros reformadores. E acrescentava: “só dos
Santos, só de Deus provém a verdadeira
revolução, a mudança decisiva do mundo”
(Homilia, 25/08/2005). Este é o convite que faço hoje a
todos vós, do primeiro ao último, nesta imensa
Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo» (Lv 11,44).
Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos
quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos
do céu; este dom que, juntamente com a fé é a maior graça que o
Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar
a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível,
como também necessária a santidade, cada qual no seu estado de vida,
para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo!
Amém!
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sexta: 11 de maio de 2007
BRASIL - SÃO PAULO - 11.05.2007
Catedral da
Sé
Encontro com
os Bispos
Amados irmãos
no Episcopado,
«O Filho
de Deus aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve.
Tendo chegado à perfeição, tornou-se causa de eterna salvação para
todos os que lhe obedecem» (cf. Hb 5,8-9).
1. O texto que
acabamos de ouvir na Leitura Breve das Vésperas de hoje contém um
ensinamento profundo. Também neste caso constatamos como a Palavra
de Deus é viva e mais penetrante do que uma espada de dois gumes,
chega até à juntura da alma, reconfortando-a, estimulando os seus
fiéis servidores (cf. Hb 4,12).
Agradeço
a Deus por ter permitido encontrar-me com um Episcopado de prestígio,
que está à frente de uma das mais numerosas populações católicas
do mundo. Eu vos saúdo com sentimentos de profunda comunhão e de
afeto sincero, bem conhecendo a dedicação com que seguis as comunidades
que vos foram confiadas. A calorosa acolhida do Senhor Pároco da
Catedral da Sé e de todos os presentes fez-me sentir em casa, nesta
grande Casa comum que é nossa Santa Mãe a Igreja Católica.
Dirijo uma especial
saudação à nova Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil e, ao agradecer as palavras do seu Presidente, Dom Geraldo
Lyrio Rocha, faço votos de um profícuo desempenho na tarefa de consolidar
sempre mais a comunhão entre os bispos e de promover a ação pastoral
comum num território de dimensões continentais.
2. O Brasil
está acolhendo os participantes da V Conferência do Episcopado Latino-americano
com a sua tradicional hospitalidade. Exprimo o meu agradecimento
pela cortês recepção dos seus membros e o meu profundo apreço pelas
orações do povo brasileiro, formuladas especialmente em prol do
bom êxito do encontro dos bispos em Aparecida. É um grande evento
eclesial que se situa no âmbito do esforço missionário que a América
Latina deverá propor-se, precisamente a partir daqui, do solo brasileiro.
Foi por isso que quis dirigir-me inicialmente a vós, Bispos do Brasil,
evocando aquelas palavras densas de conteúdo da Carta aos Hebreus:
«O Filho de Deus aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos
que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação
para todos os que lhe obedecem» (Hb 5, 8-9). Exuberante
no seu significado, este versículo fala da compaixão de Deus para
conosco, concretizada na paixão de seu Filho; e fala da sua obediência,
da sua adesão livre e consciente aos desígnios do Pai, explicitada
especialmente na oração no monte das Oliveiras: «Não seja feita
a minha vontade, mas a tua» (Lc 22,42). Assim, é o próprio
Jesus a nos ensinar que a verdadeira via de salvação consiste em
conformar a nossa vontade à vontade de Deus. É exatamente o que
pedimos na terceira invocação da oração do Pai Nosso: que seja feita
a vontade de Deus, assim na terra como no céu, porque onde reina
a vontade de Deus, aí está presente o reino de Deus. Jesus nos atrai
para a sua vontade, a vontade do Filho, e deste modo nos guia para
a salvação. Indo ao encontro da vontade de Deus, com Jesus Cristo,
abrimos o mundo ao reino de Deus.
Nós Bispos somos
convocados para manifestar essa verdade central, pois estamos vinculados
diretamente a Cristo, Bom Pastor. A missão que nos é confiada, como
Mestres da fé, consiste em recordar, como o mesmo Apóstolo das Gentes
escrevia, que o nosso Salvador «quer que todos os homens se salvem
e cheguem ao conhecimento da verdade» (1Tm 2, 4-6).
Esta é a finalidade, e não outra, a finalidade da Igreja, a
salvação das almas, uma a uma. Por isso o Pai enviou seu Filho,
e «como o Pai me enviou, também eu vos envio» (Jo 20,21).
Daqui, o mandato de evangelizar: «Ide, pois, ensinai a todas
as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco
todos os dias, até o fim do mundo» (Mt 28,19-20).
São palavras simples e sublimes nas quais estão indicadas
a obrigação de pregar a verdade da fé, a
urgência da vida sacramental, a promessa da contínua
assistência de Cristo à sua Igreja. Estas são
realidades fundamentais e se referem à instrução
na fé e na moral cristã, e à prática dos
sacramentos. Onde Deus e a sua vontade não são
conhecidos, onde não existe a fé em Jesus Cristo e nem a
sua presença nas celebrações sacramentais, falta o
essencial também para a solução dos urgentes
problemas sociais e políticos. A fidelidade ao primado de Deus e
da sua vontade, conhecida e vivida em comunhão com Jesus Cristo,
é o dom essencial, que nós Bispos e sacerdotes devemos
oferecer ao nosso povo (cf. Populorum progressio 21).
3. O ministério
episcopal nos impele ao discernimento da vontade salvífica, na busca
de uma pastoral que eduque o Povo de Deus a reconhecer e acolher
os valores transcendentes, na fidelidade ao Senhor e ao Evangelho.
È verdade que os tempos de hoje são difíceis para a Igreja e muitos
dos seus filhos estão atribulados. A vida social está atravessando
momentos de confusão desnorteadora. Ataca-se impunemente a santidade
do matrimônio e da família, iniciando-se por fazer concessões diante
de pressões capazes de incidir negativamente sobre os processos
legislativos; justificam-se alguns crimes contra a vida em nome
dos direitos da liberdade individual; atenta-se contra a dignidade
do ser humano; alastra-se a ferida do divórcio e das uniões livres.
Ainda mais: no seio da Igreja, quando o valor do compromisso sacerdotal
é questionado como entrega total a Deus através do celibato apostólico
e como disponibilidade total para servir às almas, dando-se preferência
às questões ideológicas e políticas, inclusive partidárias, a estrutura
da consagração total a Deus começa a perder o seu significado mais
profundo. Como não sentir tristeza em nossa alma? Mas tende confiança:
a Igreja é santa e incorruptível (cf. Ef 5,27). Dizia Santo
Agostinho: “Vacilará a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poderá
talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá
intacta até o fim dos tempos” (Enarrationes in Psalmos, 103,2,5;
PL, 37, 1353.)
Entre os problemas
que afligem a vossa solicitude pastoral está, sem dúvida, a questão
dos católicos que abandonam a vida eclesial. Parece claro que a
causa principal, dentre outras, deste problema, possa ser atribuída
à falta de uma evangelização em que Cristo e a sua Igreja estejam
no centro de toda explanação. As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo
agressivo das seitas - que é motivo de justa preocupação – e incapazes
de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo
são geralmente os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente
influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa,
vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata. Na
Encíclica Deus caritas est recordei que “Ao início do ser
cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro
com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte
e, desta forma, o rumo decisivo” (n. 1). É necessário, portanto,
encaminhar a atividade apostólica como uma verdadeira missão dentro
do rebanho que constitui a Igreja Católica no Brasil, promovendo
uma evangelização metódica e capilar em vista de uma adesão pessoal
e comunitária a Cristo. Trata-se efetivamente de não poupar esforços
na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem
sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral da acolhida que
os ajude a sentir a Igreja como lugar privilegiado do encontro com
Deus e mediante um itinerário catequético permanente. Uma missão
evangelizadora que convoque todas as forças vivas deste imenso rebanho.
Meu pensamento dirige-se, portanto, aos sacerdotes, religiosos,
religiosas e leigos que se prodigalizam, muitas vezes com imensas
dificuldades, para a difusão da verdade evangélica. Dentre eles,
muitos colaboram ou participam ativamente nas Associações, nos Movimentos
e em outras novas realidades eclesiais que, em comunhão com seus
Pastores e de acordo com as orientações diocesanas, levam sua riqueza
espiritual, educativa e missionária ao coração da Igreja, como preciosa
experiência e proposta de vida cristã.
Neste esforço
evangelizador, a comunidade eclesial se destaca pelas iniciativas
pastorais, ao enviar, sobretudo entre as casas das periferias urbanas
e do interior, seus missionários, leigos ou religiosos, procurando
dialogar com todos em espírito de compreensão e de delicada caridade.
Mas se as pessoas encontradas estão numa situação de pobreza, é
preciso ajudá-las, como faziam as primeiras comunidades cristãs,
praticando a solidariedade, para que se sintam amadas de verdade.
O povo pobre das periferias urbanas ou do campo precisa sentir a
proximidade da Igreja, seja no socorro das suas necessidades mais
urgentes, como também na defesa dos seus direitos e na promoção
comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz. Os pobres
são os destinatários privilegiados do Evangelho e um Bispo, modelado
segundo a imagem do Bom Pastor, deve estar particularmente atento
em oferecer o divino bálsamo da fé, sem descuidar do “pão material”.
Como pude evidenciar na Encíclica Deus caritas est, “a Igreja
não pode descurar o serviço da caridade, tal como não pode negligenciar
os Sacramentos nem a Palavra” (n. 22).
A vivência sacramental,
especialmente através da Confissão e da Eucaristia, adquire aqui
uma importância de primeira grandeza. A vós Pastores cabe a principal
tarefa de assegurar a participação dos fiéis na vida eucarística
e no Sacramento da Reconciliação; deveis estar vigilantes para que
a confissão e a absolvição dos pecados sejam, de modo ordinário,
individual, tal como o pecado é um fato profundamente pessoal (cf.
Exort. ap. pós-sinodal Reconciliatio et penitentia, n. 31,
III). Somente a impossibilidade física ou moral escusa o fiel desta
forma de confissão, podendo neste caso obter a reconciliação por
outros meios (Cân. 960; cf. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica,
n. 311). Por isso, convém incutir nos sacerdotes a prática da generosa
disponibilidade para atender aos fiéis que recorrem ao Sacramento
da misericórdia de Deus (Carta ap. Misericordia Dei, 2).
4. Recomeçar
a partir de Cristo em todos os âmbitos da missão. Redescobrir em
Jesus o amor e a salvação que o Pai nos dá, pelo Espírito Santo.
Esta é a substância, a raiz, da missão episcopal que faz do Bispo
o primeiro responsável pela catequese diocesana. Com efeito, ele
tem a direção superior da catequese, rodeando-se de colaboradores
competentes e merecedores de confiança. É óbvio, portanto, que
os seus catequistas não são simples comunicadores de experiências
de fé, mas devem ser autênticos transmissores, sob a guia do seu
Pastor, das verdades reveladas. A fé é uma caminhada conduzida
pelo Espírito Santo que se resume em duas palavras: conversão e
seguimento. Essas duas palavras-chave da tradição cristã indicam
com clareza, que a fé em Cristo implica uma práxis de vida baseada
no dúplice mandamento do amor, a Deus e ao próximo, e exprimem também
a dimensão social da vida cristã.
A verdade supõe
um conhecimento claro da mensagem de Jesus, transmitida graças a
uma compreensível linguagem inculturada, mas necessariamente fiel
à proposta do Evangelho. Nos tempos atuais é urgente um conhecimento
adequado da fé, como está bem sintetizada no Catecismo da Igreja
Católica com o seu Compêndio. Faz parte da catequese
essencial também a educação às virtudes pessoais e sociais do cristão,
como também a educação à responsabilidade social. Exatamente porque
fé, vida e celebração da sagrada liturgia como fonte de fé e de
vida, são inseparáveis, é necessária uma mais correta aplicação
dos princípios indicados pelo Concílio Vaticano II no que diz respeito
à Liturgia da Igreja, incluindo as disposições contidas no Diretório
para os Bispos (nn.145-151), com o propósito de devolver à Liturgia
o seu caráter sagrado. É com esta finalidade que o meu Venerável
predecessor na Cátedra de Pedro, João Paulo II, quis renovar “um
veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com
grande fidelidade, na celebração eucarística” (...) “A liturgia
jamais é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da
comunidade onde são celebrados os santos mistérios” (Carta encl.
Ecclesia de Eucharistia, n. 52). Redescobrir e valorizar
a obediência às normas litúrgicas por parte dos Bispos, como “moderadores
da vida litúrgica da Igreja”, significa testemunhar a própria Igreja,
una e universal que preside na caridade.
5. É necessário
um salto de qualidade na vivência cristã do povo, para que possa
testemunhar a sua fé de forma límpida e esclarecida. Essa fé, celebrada
e participada na liturgia e na caridade, nutre e fortifica a comunidade
dos discípulos do Senhor e os edifica como Igreja missionária e
profética. O Episcopado brasileiro possui uma estrutura de grande
envergadura, cujos Estatutos foram há pouco revistos para o seu
melhor desempenho e uma dedicação mais exclusiva ao bem da Igreja.
O Papa veio ao Brasil para pedir-vos que, no seguimento da Palavra
de Deus, todos os Veneráveis Irmãos no episcopado saibam ser portadores
de eterna salvação para todos os que lhe obedecem (cf. Hb
5,10).
Nós, pastores,
na esteira do compromisso assumido como sucessores dos Apóstolos,
devemos ser fiéis servidores da Palavra, sem visões redutivas e
confusões na missão que nos é confiada. Não basta observar a realidade
a partir da fé; é preciso trabalhar com o Evangelho nas mãos e fundamentados
na correta herança da Tradição Apostólica, sem interpretações movidas
por ideologias racionalistas.
Assim é que,
“nas Igrejas particulares compete ao Bispo conservar e interpretar
a Palavra de Deus e julgar com autoridade aquilo que está ou não
de acordo com ela” (Congr. para a Doutrina da Fé, Instr. sobre
a vocação eclesial do teólogo, n. 19). Ele, como Mestre de fé
e de doutrina, poderá contar com a colaboração do teólogo que “na
sua dedicação ao serviço da verdade, deverá, para permanecer fiel
à sua função, levar em conta a missão própria do Magistério e colaborar
com ele” (ib. 20). O dever de conservar o depósito da fé
e de manter a sua unidade exige estreita vigilância, de modo que
este seja “conservado e transmitido fielmente e que as posições
particulares sejam unificadas na integridade do Evangelho de Cristo”
(Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos, n. 126).
Eis então a
enorme responsabilidade que assumis como formadores do povo, mormente
dos vossos sacerdotes e religiosos. São eles vossos fiéis colaboradores.
Conheço o empenho com que procurais formar as novas vocações sacerdotais
e religiosas. A formação teológica e nas disciplinas eclesiásticas
exige uma constante atualização, mas sempre de acordo com o Magistério
autentico da Igreja.
Faço apelo ao
vosso zelo sacerdotal e ao sentido de discernimento das vocações,
também para saber complementar a dimensão espiritual, psicoafetiva,
intelectual e pastoral em jovens maduros e disponíveis ao serviço
da Igreja. Um bom e assíduo acompanhamento espiritual é indispensável
para favorecer o amadurecimento humano e evita o risco de desvios
no campo da sexualidade. Tende sempre presente que o celibato sacerdotal
é um dom “que a Igreja recebeu e quer guardar, convencida de que
ele é um bem para ela e para o mundo” (Diretório para o ministério
e a vida dos presbíteros, n. 57).
Gostaria de
recomendar à vossa solicitude também as Comunidades religiosas que
se inserem na vida da própria Diocese. É uma contribuição preciosa
que oferecem, pois, apesar da “diversidade de dons, o Espírito
é o mesmo” (1 Cor 12,4).
A Igreja não
pode senão manifestar alegria e apreço por tudo aquilo que os Religiosos
vêm realizando mediante Universidades, escolas, hospitais e outras
obras e instituições.
6. Conheço a
dinâmica das vossas Assembléias e o esforço por definir os diversos
planos pastorais, que dêem prioridade à formação do clero e dos
agentes da pastoral. Alguns dentre vós fomentastes movimentos de
evangelização para facilitar o agrupamento dos fiéis numa linha
de ação. O Sucessor de Pedro conta convosco para que vossa preparação
se apóie sempre naquela espiritualidade de comunhão e de fidelidade
à Sé de Pedro, a fim de garantir que a ação do Espírito não seja
vã. Com efeito, a integridade da fé, junto à disciplina eclesial,
é, e será sempre, tema que exigirá atenção e desvelo por parte de
todos vós, sobretudo quando se trata de tirar as consequências do
fato que existe «uma só fé e um só batismo».
Como sabeis,
entre os vários documentos que se ocupam da unidade dos cristãos
está o Diretório para o ecumenismo publicado pelo Pontifício
Conselho para a Unidade dos Cristãos. O Ecumenismo, ou seja, a busca
da unidade dos cristãos torna-se nesse nosso tempo, no qual se verifica
o encontro das culturas e o desafio do secularismo, uma tarefa sempre
mais urgente da Igreja católica. Com a multiplicação, porém, de
sempre novas denominações cristãs e, sobretudo diante de certas
formas de proselitismo, freqüentemente agressivo, o empenho ecumênico
torna-se uma tarefa complexa. Em tal contexto é indispensável uma
boa formação histórica e doutrinal, que habilite ao necessário discernimento
e ajude a entender a identidade específica de cada uma das comunidades,
os elementos que dividem e aqueles que ajudam no caminho de construção
da unidade. O grande campo comum de colaboração deveria ser a defesa
dos fundamentais valores morais, transmitidos pela tradição bíblica,
contra a sua destruição numa cultura relativística e consumista;
mais ainda, a fé em Deus criador e em Jesus Cristo, seu Filho encarnado.
Além do mais vale sempre o princípio do amor fraterno e da busca
de compreensão e de proximidade mútuas; mas também a defesa da fé
do nosso povo, confirmando-o na feliz certeza, que a “unica Christi
Ecclesia... subsistit in Ecclesia catholica, a successore Petri
et Episcopis in eius communione gubernata” (“a única Igreja
de Cristo... subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor
de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”) (Lumen gentium
8).
Neste sentido
se procederá a um franco diálogo ecumênico, através do Conselho
Nacional das Igrejas Cristãs, zelando pelo pleno respeito das demais
confissões religiosas, desejosas de manter-se em contato com a Igreja
Católica no Brasil.
7. Não é nenhuma
novidade a constatação de que vosso País convive com um déficit
histórico de desenvolvimento social, cujos traços extremos são o
imenso contingente de brasileiros vivendo em situação de indigência
e uma desigualdade na distribuição da renda que atinge patamares
muito elevados. A vós, veneráveis Irmãos, como hierarquia do povo
de Deus, vos compete promover a busca de soluções novas e cheias
de espírito cristão. Uma visão da economia e dos problemas sociais,
a partir da perspectiva da doutrina social da Igreja, leva a considerar
as coisas sempre do ponto de vista da dignidade do homem, que transcende
o simples jogo dos fatores econômicos. Deve-se, por isso, trabalhar
incansavelmente para a formação dos políticos, dos brasileiros que
têm algum poder decisório, grande ou pequeno e, em geral, de todos
os membros da sociedade, de modo que assumam plenamente as próprias
responsabilidades e saibam dar um rosto humano e solidário à economia.
Ocorre formar
nas classes políticas e empresariais um autêntico espírito de veracidade
e de honestidade. Quem assume uma liderança na sociedade, deve procurar
prever as conseqüências sociais, diretas e indiretas, a curto e
a longo prazo, das próprias decisões, agindo segundo critérios de
maximização do bem comum, ao invés de procurar ganâncias pessoais.
8. Queridos
irmãos, se Deus quiser, encontraremos outras oportunidades para
aprofundar as questões que interpelam a nossa solicitude pastoral
conjunta. Desta vez, desejei, certamente de maneira não exaustiva,
expor os temas mais relevantes que se impõem à minha consideração
de Pastor da Igreja universal. Transmito-vos o meu afetuoso encorajamento
que é, ao mesmo tempo, uma fraterna e sentida súplica: para que
procedais e trabalheis sempre, como vindes fazendo, em concórdia,
tendo como vosso fundamento uma comunhão que na Eucaristia encontra
o seu momento culminante e o seu manancial inesgotável. Confio todos
vós a Maria Santíssima, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, enquanto
de todo o coração vos concedo, a cada um de vós e às vossas respectivas
Comunidades, a Bênção Apostólica.
Obrigado!
VOLTAR
sábado: 12 de maio de 2007
BRASIL - GUARATINGUETÁ - 12.05.2007
Fazenda da
Esperança
Saudação
“Louvado
sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas” - Com esta saudação
ao Onipotente e Bom Senhor, o santo Pobrezinho de Assis reconhecia
a bondade única do Deus Criador e a doçura, a força e a beleza que
serenamente se espalham em todas as criaturas, tornado-as espelho
da onipotência do Criador.
Este nosso encontro,
queridas irmãs Clarissas, nesta Fazenda da Esperança, quer ser a
manifestação de um gesto de carinho do sucessor de Pedro às irmãs
de clausura e também um sereno murmúrio de amor que ecoa por estas
colinas e vales da Serra da Mantiqueira e ressoe em toda a terra:
"Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes
que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz" (Sl 18,4-5).
Daqui as filhas de santa Clara proclamam; "louvado sejas,
meu Senhor, por todas as tuas criaturas! ". Onde a sociedade
não vê mais futuro ou esperança, são os cristãos chamados a anunciar
a força da Ressurreição: justamente aqui nesta Fazenda da
Esperança, onde estão tantas pessoas, principalmente jovens, que
procuram superar o problema das drogas, do álcool e da dependência
química, testemunha-se o Evangelho de Cristo no meio de uma sociedade
consumista afastada de Deus. Quão outra é a perspectiva do Criador
em sua obra! As irmãs Clarissas e outros religiosos de clausura
- que, na vida contemplativa, perscrutam a grandeza de Deus e descobrem
também a beleza das criaturas - podem, com o autor sagrado, contemplar
o próprio Deus, embevecido, maravilhado diante de Sua obra, de Sua
criatura amada: "Deus contemplou tudo o que tinha feito e eis
que estava tudo muito bom!" (Gn 1, 31).
Quando o pecado
entrou no mundo e, com ele, a morte, a criatura amada de Deus -
embora ferida - não perdeu totalmente sua beleza: ao contrário,
recebeu um amor maior: "Ó feliz culpa que nos mereceu um tão
grande Redentor" - proclama a Igreja na noite misteriosa e
clara da Páscoa (Exultet). É o Cristo ressuscitado que cura
as feridas e salva os filhos e filhas de Deus, salva a humanidade
da morte, do pecado e da escravidão das paixões. A Páscoa de Cristo
une a terra e o céu. Nesta Fazenda da Esperança unem-se as orações
das Clarissas e o trabalho árduo da medicina e da laborterapia para
vencer as prisões e quebrar os grilhões das drogas que fazem sofrer
os filhos amados de Deus.
Recompõe-se,
assim, a beleza das criaturas que encanta e maravilha seu Criador.
Este é o Pai todo-poderoso, o único cujo ser é o amor e cuja glória
é o ser humano vivo - no dizer de Santo Irineu. Ele "tanto
amou o mundo, que enviou o seu Filho" (Jo 3,16)
para recolher o caído no caminho, assaltado e ferido pelos ladrões
na estrada de Jerusalém a Jericó.
Nos caminhos
do mundo, Jesus é "a mão que o Pai estende aos pecadores; é
o caminho pelo qual nos chega a paz" (anáfora eucarística).
Sim, aqui descobrimos que a beleza das criaturas e o amor de
Deus são inseparáveis. Francisco e Clara de Assis também descobrem
este segredo e propõem aos seus filhos e filhas uma só coisa - e
bem simples: viver o Evangelho. Esta é sua norma de conduta e sua
regra de vida. Clara o expressou muito bem, quando disse às suas
Irmãs: "Tende entre vós, minhas filhas, o mesmo amor com o
qual Cristo vos amou" (Testamento).
É neste amor
que Frei Hans convidou-as para serem a retaguarda de todo o trabalho
desenvolvido na Fazenda da Esperança. Na força da oração silenciosa,
nos jejuns e penitências, as filhas de santa Clara vivem o mandamento
do amor a Deus e ao próximo, no gesto supremo de amar até o fim.
Isto significa jamais perder a esperança! Donde o nome desta obra
de Frei Hans: "Fazenda da Esperança". Pois é preciso edificar,
construir a esperança, tecendo a tela de uma sociedade que, no estender-se
dos fios da vida, perde o próprio sentimento de esperança. Esta
perda - no dizer de Paulo - é como maldição que a pessoa humana
impõe a si mesma: "pessoas sem afeto" (Rm 1,31).
Caríssimas irmãs, sejam as proclamadoras de que "a esperança
não decepciona" (Rm 5,5). A dor do Crucificado,
que atravessou a alma de Maria ao pé da cruz, console tantos corações
maternos e paternos que choram de dor por seus filhos ainda dependentes
de drogas. Anunciem pelo silêncio oferente da oração, silêncio grandiloqüente
que o Pai escuta; anunciem a mensagem do amor que vence a dor, as
drogas e a morte. Anunciem Jesus Cristo, humano como nós, sofredor
como nós, que tomou sobre si os nossos pecados para deles nos libertar!
Estamos para
iniciar a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho,
no Santuário de Aparecida - tão perto desta Fazenda da Esperança.
Confio também em suas orações, para que nossos povos tenham vida
em Jesus Cristo e todos nós sejamos seus discípulos e missionários.
Rogo a Maria - a Mãe Aparecida, a Virgem de Nazaré - quem, no seguimento
de seu Filho, guardava todas as coisas no seu coração, que as guarde
no silêncio fecundo da oração.
A todas as irmãs
de clausura, de maneira especial às Clarissas presentes a esta obra,
minha bênção e afeto.
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sábado: 12 de maio de 2007
BRASIL - GUARATINGUETÁ
- 12.05.2007
Fazenda da Esperança
Encontro
Queridos amigos
e amigas,
Eis-Me finalmente
na Fazenda Esperança!
1. Com particular
afeto, saúdo ao Frei Hans Stapel, Fundador da Obra Social Nossa
Senhora da Glória, também conhecida como Fazenda da Esperança. Desejo
desde já congratular-me com todos vocês, por terem acreditado num
ideal de bem e de paz que este lugar significa.
A todos que
se encontram em fase de recuperação, bem como aos reabilitados,
voluntários, famílias, ex-internos e benfeitores de todas as fazendas
representadas nesta ocasião para encontrar-se com o Papa, digo:
Paz e Bem!
Sei que aqui
se encontram reunidos os representantes de diversos países, onde
a Fazenda da Esperança possui sedes. Viestes ver o Papa. Viestes
para ouvir e assimilar o que ele vos queria dizer.
2. A Igreja
de hoje deve reavivar em si mesma a consciência da tarefa de repropor
ao mundo a voz d’Aquele que disse: «Eu sou a luz do mundo. Quem
me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo
8,12). Por sua vez, a tarefa do Papa é renovar nos corações
essa luz que não ofusca, pois quer iluminar o íntimo das almas que
buscam o verdadeiro bem e a paz, que o mundo não pode dar. Um fulgor
como este, só necessita de um coração aberto aos anseios divinos.
Deus não força, não oprime a liberdade individual; pede só abertura
daquele sacrário da nossa consciência por donde passam todas as
aspirações mais nobres, mas também afetos e paixões desordenadas
que ofuscam a mensagem do Altíssimo.
3. «Eis que
estou à porta, e bato: Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a
porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo»
(Ap 3,20). São palavras divinas que tocam o fundo da alma
e que removem até as suas raízes mais profundas.
A um certo momento
da vida, Jesus vem e toca, com suaves batidas, no fundo dos corações
bem dispostos. A vocês, Ele o fez através de uma pessoa amiga ou
de um sacerdote ou, possivelmente, providenciou uma série de coincidências
para dizer que sois objeto de predileção divina. Mediante a instituição
que os abriga, o Senhor proporcionou esta experiência de recuperação
física e espiritual de vital importância para vocês e seus familiares.
Além disso, a sociedade espera que saibam divulgar este bem precioso
da saúde entre os amigos e membros de toda a comunidade.
Vocês devem
ser os embaixadores da esperança! O Brasil possui uma estatística,
das mais relevantes, no que diz respeito à dependência química de
drogas e entorpecentes. E a América Latina não fica atrás. Por isso,
digo aos que comercializam a droga que pensem no mal que estão provocando
a uma multidão de jovens e de adultos de todos os segmentos da sociedade:
Deus vai-lhes exigir satisfações. A dignidade humana não pode ser
espezinhada desta maneira. O mal provocado recebe a mesma reprovação
dada por Jesus aos que escandalizavam os “pequeninos”, os preferidos
de Deus (cf. Mt 18, 7-10).
4. Mediante
uma terapia, que inclui a assistência médica, psicológica e pedagógica,
mas também muita oração, trabalho manual e disciplina, já são numerosas
as pessoas, sobretudo jovens, que conseguiram livrar-se da dependência
química e do álcool e recuperar o sentido da vida.
Desejo manifestar
o meu apreço por esta Obra, que tem como alicerce espiritual o carisma
de São Francisco e a espiritualidade do Movimento dos Focolares.
A reinserção
na sociedade constitui, sem dúvida, uma prova da eficácia da iniciativa
de vocês. Mas o que mais chama atenção, e confirma a validade do
trabalho, são as conversões, o reencontro com Deus e a participação
ativa na vida da Igreja. Não basta curar o corpo, é preciso adornar
a alma com os mais preciosos dons divinos conquistados através do
Batismo.
Vamos agradecer
a Deus por ter querido colocar tantas almas no caminho de uma esperança
renovada, com o auxílio do Sacramento do perdão e da celebração
da Eucaristia.
5. Queridos
amigos, não poderia deixar passar esta oportunidade para agradecer
também a todos os que colaboram material ou espiritualmente para
dar continuidade à Obra Social Nossa Senhora da Glória. Que
Deus abençoe Frei Hans Stapel e Nelson Giovanelli Ros por terem
acolhido o convite d'Ele para dedicarem sua vida a vocês. Abençoe
também todos os que trabalham nesta Obra: os consagrados e as consagradas;
os voluntários e as voluntárias. Uma Bênção especial vai para todas
as pessoas amigas que a sustentam: autoridades, grupos de apoio
e todos que amam a Cristo presente nestes seus filhos prediletos.
Meu pensamento
vai agora a muitas outras instituições do mundo inteiro que trabalham
para restituir a vida, e vida nova, a estes nossos irmãos presentes
na nossa sociedade, e que Deus ama com um amor preferencial. Penso
também nos muitos grupos de Alcoólicos Anônimos e de Narcóticos
Anônimos, e na Pastoral da Sobriedade que já trabalha em muitas
comunidades, prestando seus generosos auxílios em favor da vida.
6. A proximidade
do Santuário de Aparecida nos assegura que a Fazenda da Esperança
nasceu sob as suas bênçãos e o seu olhar maternal. Há muito que
venho pedindo à Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil, que estenda seu
manto protetor sobre os que participarão na V Conferencia Geral
do Episcopado da América Latina e do Caribe. A presença de vocês
aqui, supõe uma ajuda considerável para o sucesso desta grande assembléia;
ponham suas orações, sacrifícios e renúncias no altar da Capela,
certos de que, no Santo Sacrifício do Altar, estas ofertas subirão
aos céus como um suave aroma na presença do Altíssimo. Conto com
a ajuda de vocês. Que o Santo Frei Galvão e Santa Crescência amparem
e protejam a cada um.
A todos vocês
abençôo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
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sábado: 12 de maio de 2007
BRASIL
- APARECIDA - 12.05.2007
Santuário
Rosário
Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos
no Episcopado e Presbiterado,
Amados religiosos
e todos vós que, impelidos pela voz de Jesus Cristo, O seguistes
por amor!
Estimados seminaristas,
que vos estais preparando para o ministério sacerdotal!
Queridos representantes
dos Movimentos eclesiais, e todos vós leigos que levais a força
do Evangelho ao mundo do trabalho e da cultura, no seio das famílias,
bem como às vossas paróquias!
1. Como os Apóstolos,
juntamente com Maria, «subiram para a sala de cima» e ali «unidos
pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração» (At
1,13-14), assim também hoje nos reunimos aqui no Santuário de
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que é para nós nesta hora
«a sala de cima», onde Maria, Mãe do Senhor, se encontra no meio
de nós. Hoje é Ela que orienta a nossa meditação; Ela nos ensina
a rezar. É Ela que nos mostra o modo como abrir nossas mentes e
os nossos corações ao poder do Espírito Santo, que vem para ser
transmitido ao mundo inteiro.
Acabamos de
recitar o Rosário. Através dos seus ciclos meditativos, o Divino
Consolador quer nos introduzir no conhecimento de um Cristo que
brota da fonte límpida do texto evangélico. Por sua vez, a Igreja
do terceiro milênio se propõe dar aos cristãos a capacidade de «conhecerem
- com palavras de São Paulo - o mistério de Deus, isto é Cristo,
no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência»
(Col 2,2-3). Maria Santíssima, a Virgem Pura e sem Mancha
é para nós escola de fé destinada a conduzir-nos e a fortalecer-nos
no caminho que leva ao encontro com o Criador do Céu e da Terra.
O Papa veio a Aparecida com viva alegria para vos dizer primeiramente:
"Permanecei na escola de Maria". Inspirai-vos nos seus
ensinamentos, procurai acolher e guardar dentro do coração as luzes
que Ela, por mandato divino, vos envia lá do alto.
Como é bom estarmos
aqui reunidos em nome de Cristo, na fé, na fraternidade, na alegria,
na paz, "na oração com Maria, a Mãe de Jesus" (At
1,14). Como é bom, queridos Presbíteros, Diáconos, Consagrados
e Consagradas, Seminaristas e Famílias Cristãs, estarmos aqui no
Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que
é Morada de Deus, Casa de Maria e Casa de Irmãos e que nesses dias
se transforma também em Sede da V Conferência Episcopal Latino-Americana
e Caribenha. Como é bom estarmos aqui nesta Basílica Mariana para
onde, neste tempo, convergem os olhares e as esperanças do mundo
cristão, de modo especial da América Latina e do Caribe!
2. Sinto-me
muito feliz em estar aqui convosco, em vosso meio! O Papa vos ama!
O Papa vos saúda afetuosamente!
Reza por vós!
E suplica ao Senhor as mais preciosas bênçãos para os Movimentos,
Associações e as novas realidades eclesiais, expressão viva da perene
juventude da Igreja! Que sejais muito abençoados! Aqui vai minha
saudação muito afetuosa a vós Famílias aqui congregadas e que representais
todas as caríssimas Famílias Cristãs presentes no mundo inteiro.
Alegro-me de modo especialíssimo convosco e vos envio o meu abraço
de paz. Agradeço a acolhida e a hospitalidade do Povo brasileiro.
Desde que aqui cheguei fui recebido com muito carinho!
As várias manifestações
de apreço e saudações demonstram o quanto vós quereis bem, estimais
e respeitais o Sucessor do Apóstolo Pedro. Meu predecessor, o Servo
de Deus Papa João Paulo II referiu-se várias vezes à vossa simpatia
e espírito de acolhida fraterna. Ele tinha toda razão!
3. Saúdo aos
estimados padres, aqui presentes, penso e oro por todos os sacerdotes
espalhados pelo mundo inteiro, de modo particular pelos da América
Latina e do Caribe, neles incluindo os que são fidei donum.
Quantos desafios, quantas situações difíceis
enfrentais, quanta generosidade, quanta doação,
sacrifícios e renúncias! A fidelidade no exercício
do ministério e na vida de oração, a busca da
santidade, a entrega total a Deus a serviço dos irmãos e
irmãs, gastando vossas vidas e energias, promovendo a
justiça, a fraternidade, a solidariedade, a partilha, - tudo
isso fala fortemente ao meu coração de Pastor. O
testemunho de um sacerdócio bem vivido dignifica a Igreja,
suscita admiração nos fiéis, é fonte de
bênçãos para a Comunidade, é a melhor
promoção vocacional, é o mais autêntico
convite para que outros jovens também respondam positivamente
aos apelos do Senhor. É a verdadeira colaboração
para a construção do Reino de Deus!
Agradeço-vos
sinceramente e vos exorto a que continueis a viver de modo digno
a vocação que recebestes. Que o ardor missionário, que a vibração
por uma evangelização sempre mais atualizada, que o espírito apostólico
autêntico e o zelo pelas almas estejam presentes em vossas vidas!
O meu afeto, orações e agradecimentos vai também aos sacerdotes
idosos e enfermos. A vossa conformação ao Cristo Sofredor e Ressuscitado
é o mais fecundo apostolado! Muito obrigado!
4. Queridos
Diáconos e Seminaristas, a vós também que ocupais um lugar especial
no coração do Papa, uma saudação muito fraterna e cordial. A jovialidade,
o entusiasmo, o idealismo, o ânimo em enfrentar com audácia os novos
desafios, renovam a disponibilidade do Povo de Deus, tornam os fiéis
mais dinâmicos e fazem a Comunidade Cristã crescer, progredir, ser
mais confiante, feliz e otimista. Agradeço o testemunho que ofereceis,
colaborando com os vossos Bispos nos trabalhos pastorais das dioceses.
Tenhais sempre diante dos olhos a figura de Jesus, o Bom Pastor,
que "veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida
para resgatar a multidão" (Mt 20,28). Sede como os primeiros
diáconos da Igreja: homens de boa reputação, cheios do Espírito
Santo, de sabedoria e de fé (cf. At 6, 3-5). E vós, Seminaristas
dai graças a Deus pela chamada que Ele vos faz. Lembrai-vos que
o Seminário é o "berço da vossa vocação e palco da primeira
experiência de comunhão" (Diretório para o Ministério e vida
dos Presbíteros, 32). Rezo para que sejais, se Deus quiser, sacerdotes
santos, fiéis e felizes em servir a Igreja!
5. Detenho meu
olhar e atenção agora sobre vós, estimados Consagrados e Consagradas,
aqui reunidos no Santuário da Mãe, Rainha e Padroeira do Povo Brasileiro,
e também espalhados por todas as partes do mundo.
Vós, religiosos
e religiosas, sois uma dádiva, um presente, um dom divino que a
Igreja recebeu do seu Senhor. Agradeço a Deus a vossa vida e o testemunho
que dais ao mundo de um amor fiel a Deus e aos irmãos. Esse amor
sem reservas, total, definitivo, incondicional e apaixonado se expressa
no silêncio, na contemplação, na oração e nas atividades mais diversas
que realizais, em vossas famílias religiosas, em favor da humanidade
e principalmente dos mais pobres e abandonados. Isso tudo suscita
no coração dos jovens o desejo de seguir mais de perto e radicalmente
o Cristo Senhor e oferecer a vida para testemunhar aos homens e
mulheres do nosso tempo que Deus é Amor e que vale à pena deixar-se
cativar e fascinar para dedicar-se exclusivamente a Ele (cf. Exort.
ap. Vita Consecrata, 15). A vida religiosa no Brasil sempre
foi marcante e teve um papel de destaque na obra da evangelização,
desde os primórdios da colonização. Ontem ainda, tive a grande satisfação
de presidir a Celebração Eucarística na qual foi canonizado Santo
Antonio de Sant'Anna Galvão, presbítero e religioso franciscano,
primeiro santo nascido no Brasil. Ao seu lado, um outro testemunho
admirável de consagrada é Santa Paulina, fundadora das Irmãzinhas
da Imaculada Conceição. Teria muitos outros exemplos para citar.
Que todos eles vos sirvam de estímulo para viverdes uma consagração
total. Deus vos abençoe!
6.
Hoy, en vísperas de la apertura de la V Conferencia General de los
Obispos de América Latina y del Caribe, que tendré el gusto de presidir,
siento el deseo de deciros a todos vosotros cuán importante es el
sentido de nuestra pertenencia a la Iglesia, que hace a los cristianos
crecer y madurar como hermanos, hijos de un mismo Dios y Padre.
Queridos hombres y mujeres de América Latina sé que tenéis una gran
sed de Dios. Sé que seguís a Aquel Jesús, que dijo “Nadie va al
Padre sino por mí” (Jn 14,6). Por eso el Papa quiere deciros
a todos: ¡La Iglesia es nuestra Casa! ¡Esta es nuestra
Casa! ¡En la Iglesia Católica tenemos todo lo que es bueno,
todo lo que es motivo de seguridad y de consuelo! ¡Quien acepta
a Cristo:
“Camino,
Verdad y Vida”, en su totalidad, tiene garantizada la paz y la felicidad,
en esta y en la otra vida! Por eso, el Papa vino aquí para rezar
y confesar con todos vosotros: ¡vale la pena ser fieles, vale
la pena perseverar en la propia fe! Pero la coherencia en la
fe necesita también una sólida formación doctrinal y espiritual,
contribuyendo así a la construcción de una sociedad más justa, más
humana y cristiana. El Catecismo de la Iglesia Católica, incluso
en su versión más reducida, publicada con el título de Compendio,
ayudará a tener nociones claras sobre nuestra fe. Vamos a pedir,
ya desde ahora, que la venida del Espíritu Santo sea para todos
como un nuevo Pentecostés, a fin de iluminar con la luz de lo Alto
nuestros corazones y nuestra fe.
7. É com grande
esperança que me dirijo a todos vós, que se encontram dentro desta
majestosa Basílica, ou que participaram do lado de fora, do Santo
Rosário, para convidá-los a se tornarem profundamente missionários
e para levar a Boa Nova do Evangelho por todos os pontos cardeais
da América Latina e do mundo.
Vamos pedir
à Mãe de Deus, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que zele pela
vida de todos os cristãos. Ela, que é a Estrela da Evangelização,
guie nossos passos no caminho do Reino celestial:
“Mãe nossa,
protegei a família brasileira e latino-americana!
Amparai,
sob o vosso manto protetor, os filhos dessa Pátria querida que nos
acolhe,
Vós que sois
a Advogada junto ao vosso Filho Jesus, dai ao Povo brasileiro paz
constante e prosperidade completa,
Concedei
aos nossos irmãos de toda a geografia latino-americana um verdadeiro
ardor missionário irradiador de fé e de esperança,
Fazei que
o vosso clamor de Fátima pela conversão dos pecadores, seja realidade,
e transforme a vida da nossa sociedade,
E vós que,
do Santuário de Guadalupe, intercedeis pelo povo do Continente da
esperança, abençoai as suas terras e os seus lares,
Amém”.
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domingo: 13 de maio de 2007
Veneráveis Irmãos
no Episcopado,
queridos sacerdotes e vós todos, irmãs e irmãos no Senhor!
Não existem palavras
para exprimir a alegria de encontrar-Me convosco para celebrar esta
solene Eucaristia, por ocasião da abertura da Quinta Conferência
Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe. A todos saúdo
com muita cordialidade, de modo particular ao Arcebispo de Aparecida,
Dom Raymundo Damasceno Assis, agradecendo as palavras que Me foram
dirigidas em nome de toda a assembléia, e os Cardeais Presidentes
desta Conferência Geral. Saúdo com deferência as Autoridades civis
e militares que nos honram com a sua presença. Deste Santuário estendo
o meu pensamento, com muito afeto e oração, a todos aqueles que
se nos unem espiritualmente neste dia, de modo especial às comunidades
de vida consagrada, aos jovens engajados em movimentos e associações,
às famílias, bem como aos enfermos e aos anciãos. A todos quero
dizer: «Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor
Jesus Cristo» (1Cor 1,13).
Considero um dom especial da Providência que
esta Santa Missa seja celebrada neste tempo e neste lugar. O tempo
é o litúrgico do sexto Domingo de Páscoa: está próxima a festa de
Pentecostes, e a Igreja é convidada a intensificar a invocação ao
Espírito Santo. O lugar é o Santuário nacional de Nossa Senhora
Aparecida, coração mariano do Brasil: Maria nos acolhe neste Cenáculo
e, como Mãe e Mestra, nos ajuda a elevar a Deus uma prece unânime
e confiante. Esta celebração litúrgica constitui o fundamento mais
sólido da V Conferência, porque põe na sua base a oração e a Eucaristia,
Sacramentum caritatis. Com efeito, só a caridade de Cristo, emanada
pelo Espírito Santo, pode fazer desta reunião um autentico
acontecimento eclesial, um momento de graça para este Continente
e para o mundo inteiro. Esta tarde terei a possibilidade de entrar
no mérito dos conteúdos sugeridos pelo tema da vossa Conferência.
Demos agora espaço à Palavra de Deus, que com alegria acolhemos,
com o coração aberto e dócil, a exemplo de Maria, Nossa Senhora
da Conceição, a fim de que, pelo poder do Espírito Santo, Cristo
possa novamente “fazer-se carne” no hoje da nossa história.
A
primeira Leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, refere-se ao assim
chamado “Concílio de Jerusalém”, que considerou a questão se aos
pagãos convertidos ao cristianismo dever-se-ia impor a observância
da lei mosaica. O texto, deixando de lado a discussão sobre “os
Apóstolos e os anciãos” (15,4-21), transcreve a decisão final, que
vem posta por escrito numa carta e confiada a dois delegados, a
fim de que seja entregue à comunidade de Antioquia (vv. 22-29).
Esta página dos Atos nos é muito apropriada, por termos vindo aqui
para uma reunião eclesial. Fala-nos do sentido do discernimento
comunitário em torno dos grandes problemas que a Igreja encontra
ao longo do seu caminho e que vem a ser esclarecidos pelos “Apóstolos”
e pelos “anciãos” com a luz do Espírito Santo, o qual, como nos
narra o Evangelho de hoje, lembra o ensinamento de Jesus Cristo
(cf. Jo 14,26) ajudando assim a comunidade cristã a caminhar na
caridade em busca da verdade plena (cf. Jo 16,13). Os chefes da
Igreja discutem e se defrontam, sempre porém em atitude de religiosa
escuta da Palavra de Cristo no Espírito Santo. Por isso, no final
podem afirmar: «Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós ...» (At 15,28).
Este
é o “método” com o qual nós agimos na Igreja, tanto nas pequenas
como nas grandes assembléias. Não é uma simples questão de procedimento;
é o resultado da mesma natureza da Igreja, mistério de comunhão
com Cristo no Espírito Santo. No caso das Conferências Gerais do
Episcopado Latino-americano e Caribenho, a primeira, realizada no
Rio de Janeiro em 1955, recorreu a uma Carta especial enviada pelo
Papa Pio XII, de venerada memória; nas outras, até a atual, foi
o Bispo de Roma que se dirigiu à sede da reunião continental para
presidir as fases iniciais. Com devoto reconhecimento dirigimos
o nosso pensamento aos Servos de Deus Paulo VI e João Paulo II que,
nas Conferências de Medellín, Puebla e Santo Domingo, testemunharam
a proximidade da Igreja universal nas Igrejas que estão na América
Latina e que constituem, em proporção, a maior parte da Comunidade
católica.
«Pareceu
bem ao Espírito Santo e a nós ...». Esta é a Igreja: nós, a comunidade
de fiéis, o Povo de Deus, com os seus Pastores chamados a fazer
de guia do caminho; juntos com o Espírito Santo, Espírito do Pai
mandado em nome do Filho Jesus, Espírito d’Aquele que é “maior”
de todos e que nos foi dado mediante Cristo, que se fez “menor”
por nossa causa. Espírito Paráclito, Ad-vocatus, Defensor e Consolador.
Ele nos faz viver na presença de Deus, na escuta da sua Palavra,
livres de inquietação e de temor, tendo no coração a paz que Jesus
nos deixou e que o mundo não pode dar (cf. Jo 14, 26-27). O Espírito
acompanha a Igreja no longo caminho que se estende entre a primeira
e a segunda vinda de Cristo: «Vou, e volto a vós» (Jo 14,28), disse
Jesus aos Apóstolos. Entre a “ida” e a “volta” de Cristo está o
tempo da Igreja, que é o seu Corpo, estão esses dois mil anos transcorridos
até agora; estão também estes pouco mais de cinco séculos em que
a Igreja fez-se peregrina nas Américas, difundindo nos fiéis a vida
de Cristo através dos Sacramentos e lançando nestas terras a boa
semente do Evangelho, que rendeu trinta, sessenta e até mesmo o
cento por um. Tempo da Igreja, tempo do Espírito Santo: Ele é o
Mestre que forma os discípulos: fá-los enamorar-se de Jesus; educa-os
para que escutem a sua Palavra, a fim de que contemplem a sua Face;
conforma-os à sua Humanidade bem-aventurada, pobre em espírito,
aflita, mansa, sedenta de justiça, misericordiosa, pura de coração,
pacífica, perseguida por causa da justiça (cf. Mt 5,3-10). Deste
modo, graças à ação do Espírito Santo, Jesus torna-se a “Via” na
qual caminha o discípulo. «Se alguém me ama, observará a minha palavra»,
diz Jesus no início do trecho evangélico de hoje. «A palavra que
tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou» (Jo 14,23-24).
Como Jesus transmite as palavras do Pai, assim o Espírito recorda
à Igreja as palavras de Cristo (cf. Jo 14,26). E como o amor pelo
Pai levava Jesus a alimentar-se da sua vontade, assim o nosso amor
por Jesus se demonstra na obediência pelas suas palavras. A fidelidade
de Jesus à vontade do Pai pode transmitir-se aos discípulos graças
ao Espírito Santo, que derrama o amor de Deus nos seus corações
(cf. Rm 5,5).
O
Novo Testamento apresenta-nos a Cristo como missionário do Pai.
Especialmente no Evangelho de São João, Jesus fala de si tantas
vezes a propósito do Pai que O enviou ao mundo. Da mesma forma,
também no texto de hoje. Jesus diz: « A palavra que tendes ouvido
não é minha, mas sim do Pai que me enviou» (Jo 14,24). Neste momento,
queridos amigos, somos convidados a fixar nosso olhar n’Ele, porque
a missão da Igreja subsiste somente em quanto prolongação daquela
de Cristo: «Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós»
(Jo 20,21). O evangelista põe em relevo, inclusive de forma plástica,
que esta consignação acontece no Espírito Santo: «Soprou sobre eles
dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo...’ » (Jo 20,22). A missão de
Cristo realizou-se no amor. Ele acendeu no mundo o fogo da caridade
de Deus (cf. Lc 12,49). É o amor que dá a vida: por isso a Igreja
é convidada a difundir no mundo a caridade de Cristo, porque os
homens e os povos «tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10).
A vós também, que representais a Igreja na América Latina, tenho
a alegria entregar de novo idealmente a minha Encíclica Deus caritas
est, com a qual quis indicar a todos o que é essencial na mensagem
cristã. A Igreja se sente discípula e missionária desse Amor :
missionária somente enquanto discípula, isto é capaz de deixar-se
sempre atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos
ama por primeiro (1Jo 4,10). A Igreja não faz proselitismo. Ela
cresce muito mais por “atração”: como Cristo “atrai todos a si”
com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da Cruz, assim
a Igreja cumpre a sua missão na medida em que, associada a Cristo,
cumpre a sua obra conformando-se em espírito e concretamente com
a caridade do seu Senhor.
Queridos
hermanos y hermanas. Éste es el rico tesoro del continente Latinoamericano;
éste es su patrimonio más valioso: la fe en Dios Amor, que reveló
su rostro en Jesucristo. Vosotros creéis en el Dios Amor: ésta es
vuestra fuerza que vence al mundo, la alegría que nada ni nadie
os podrá arrebatar, ¡la paz que Cristo conquistó para vosotros con
su Cruz! Ésta es la fe que hizo de Latinoamérica el “Continente
de la Esperanza”. No es una ideología política, ni un movimiento
social, como tampoco un sistema económico; es la fe en Dios Amor,
encarnado, muerto y resucitado en Jesucristo, el auténtico fundamento
de esta esperanza que produjo frutos tan magníficos desde la primera
evangelización hasta hoy. Así lo atestigua la serie de Santos y
Beatos que el Espíritu suscitó a lo largo y ancho de este Continente.
El Papa Juan Pablo II os convocó para una nueva evangelización,
y vosotros respondisteis a su llamado con la generosidad y el compromiso
que os caracterizan. Yo os lo confirmo y, con palabras de esta Quinta
Conferencia, os digo: sed discípulos fieles, para ser misioneros
valientes y eficaces.
La
segunda Lectura nos ha presentado la grandiosa visión de la Jerusalén
celeste. Es una imagen de espléndida belleza, en la que nada es
simplemente decorativo, sino que todo contribuye a la perfecta armonía
de la Ciudad santa. Escribe el vidente Juan que ésta “bajaba del
cielo, enviada por Dios trayendo la gloria de Dios” (Ap 21,10).
Pero la gloria de Dios es el Amor; por tanto la Jerusalén celeste
es icono de la Iglesia entera, santa y gloriosa, sin mancha ni arruga
(cf. Ef 5,27), iluminada en el centro y en todas partes por la presencia
de Dios-Caridad. Es llamada “novia”, “la esposa del Cordero” (Ap
20,9), porque en ella se realiza la figura nupcial que encontramos
desde el principio hasta el fin en la revelación bíblica. La Ciudad-Esposa
es patria de la plena comunión de Dios con los hombres; ella no
necesita templo alguno ni ninguna fuente externa de luz, porque
la presencia de Dios y del Cordero es inmanente y la ilumina desde
dentro.
Este
icono estupendo tiene un valor escatológico: expresa el misterio
de belleza que ya constituye la forma de la Iglesia, aunque aún
no haya alcanzado su plenitud. Es la meta de nuestra peregrinación,
la patria que nos espera y por la cual suspiramos. Verla con los
ojos de la fe, contemplarla y desearla, no debe ser motivo de evasión
de la realidad histórica en que vive la Iglesia compartiendo las
alegrías y las esperanzas, los dolores y las angustias de la humanidad
contemporánea, especialmente de los más pobres y de los que sufren
(cf. Gaudium et spes, 1). Si la belleza de la Jerusalén celeste
es la gloria de Dios, o sea, su amor, es precisamente y solamente
en la caridad cómo podemos acercarnos a ella y, en cierto modo,
habitar en ella. Quien ama al Señor Jesús y observa su palabra experimenta
ya en este mundo la misteriosa presencia de Dios Uno y Trino, como
hemos escuchado en el Evangelio: “Vendremos a él y haremos morada
en él” (Jn 14,23). Por eso, todo cristiano está llamado a ser piedra
viva de esta maravillosa “morada de Dios con los hombres”.¡Qué magnífica
vocación!
Uma
Igreja inteiramente animada e mobilizada pela caridade de Cristo,
Cordeiro imolado por amor, é a imagem histórica da Jerusalém celeste,
antecipação da Cidade santa, resplandecente da glória de Deus. Ela
emana uma força missionária irresistível, que é a força da santidade.
A Virgem Maria alcance para a América Latina e no Caribe ser abundantemente
revestida da força do alto (cf. Lc 24,49) para irradiar no Continente
e em todo o mundo a santidade de Cristo. A Ele seja dada glória,
com o Pai e o Espírito Santo, nos séculos dos séculos. Amém.
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domingo: 13 de maio de 2007
Caríssimos Irmãos e Irmãs:
Saúdo com muito afeto a todos vós que viestes dos quatro cantos
do Brasil, da América Latina e do Caribe, bem como aos que me escutam
pela Rádio ou pela Televisão. Durante a celebração da Santa Missa,
invoquei o Espírito Santo pedindo pelos frutos da V Conferência
Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe que, dentro de
pouco, terei a ocasião de inaugurar. Peço a todos que rezem pelos
frutos desta grande assembléia, que abre de esperança o futuro da
família latino-americana. Sois os protagonistas do destino das vossas
Nações. Que Deus vos abençoe e vos acompanhe!
Saludo con afecto a los Grupos y Comunidades de lengua española
aquí presentes, así como a todos los que desde España y Latinoamérica
se unen espiritualmente a esta celebración. Que la Virgen María
os ayude a mantener viva la llama de la fe, el amor y la concordia,
para que mediante el testimonio de vuestra vida y la fidelidad a
vuestra vocación de bautizados seáis luz y esperanza de la humanidad.
Pidamos también para que la celebración de esta Quinta Conferencia
General del Episcopado Latinoamericano y del Caribe produzca abundantes
frutos de auténtica renovación espiritual y de incansable evangelización.
¡Que
Dios os bendiga!
I
warmly greet all the English-speaking groups present today. Families
stand at the heart of the Church’s mission of evangelization, for
it is in the home that our life of faith is first expressed and
nurtured. Parents, you are the primary witnesses to your children
of the truths and values of our faith: pray with and for your children;
teach them by your example of fidelity and joy! Indeed, every disciple,
spurred on by word and strengthened by sacrament, is called to mission.
It is a duty from which no-one should shy away, for nothing is more
beautiful than to know Christ and to make him known to others! May
Our Lady of Guadalupe be your model and guide. God
Bless you all!
Chères familles et groupes de langue française, je vous salue de
tout cœur, vous qui vivez sur le Continent sud-américain, notamment
en Haïti, en Guyane française et dans les Antilles. Puissiez-vous
édifier, avec tous, une société toujours plus solidaire et plus
fraternelle, avec le souci de faire découvrir aux jeunes la grandeur
des valeurs familiales.
Recorre hoje o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora
em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é,
sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. Vamos pedir
à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças
da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades.
De modo especial Lhe confiamos aqueles povos e nações que têm particular
necessidade, e o fazemos na certeza de que não desprezará as súplicas
que com filial devoção Lhe dirigimos. Penso especialmente naqueles
irmãos e irmãs que padecem a fome e, por isso, desejo recordar a
“A Marcha contra a fome” promovida pelo Programa Alimentar
Mundial, organismo das Nações Unidas encarregado da ajuda alimentar.
Esta iniciativa acontece hoje em numerosas cidades do mundo, entre
as quais aqui no Brasil, em Ribeirão Preto.
Nossas preces vão dirigidas também à Comunidade afro-brasileira
que comemora neste domingo a abolição da escravatura no Brasil.
Possa essa recordação estimular a consciência evangelizadora desta
realidade sócio-cultural de grande importância na Terra da Santa
Cruz.
Dirijo igualmente minha cordial saudação, juntamente com os meus
sinceros agradecimentos, a todos os Grupos e Associações que aqui
se encontram. Que Deus vos recompense e mantenha firmes na fé.
Aclamemos com alegria o início da nossa salvação.
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domingo: 13 de maio de 2007
Homilia
de Bento XVI na celebração de abertura da V Conferência Geral do
Episcopado Latino-Americano e Caribenho
APARECIDA,
domingo, 13 de maio de 2007
Veneráveis Irmãos no Episcopado,
queridos sacerdotes
e vós todos, irmãs e irmãos no Senhor!
Não existem palavras para exprimir a alegria de encontrar-Me convosco
para celebrar esta solene Eucaristia, por ocasião da abertura da
Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe.
A todos saúdo com muita cordialidade, de modo particular ao Arcebispo
de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, agradecendo as palavras
que Me foram dirigidas em nome de toda a assembléia, e os Cardeais
Presidentes desta Conferência Geral. Saúdo com deferência as Autoridades
civis e militares que nos honram com a sua presença. Deste Santuário
estendo o meu pensamento, com muito afeto e oração, a todos aqueles
que se nos unem espiritualmente neste dia, de modo especial às comunidades
de vida consagrada, aos jovens engajados em movimentos e associações,
às famílias, bem como aos enfermos e aos anciãos. A todos quero
dizer: «Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor
Jesus Cristo» (1Cor 1,13).
Considero um
dom especial da Providência que esta Santa Missa seja celebrada
neste tempo e neste lugar. O tempo é o litúrgico do
sexto Domingo de Páscoa: está próxima a festa de Pentecostes, e
a Igreja é convidada a intensificar a invocação ao Espírito Santo.
O lugar é o Santuário nacional de Nossa Senhora Aparecida,
coração mariano do Brasil: Maria nos acolhe neste Cenáculo
e, como Mãe e Mestra, nos ajuda a elevar a Deus uma prece unânime
e confiante. Esta celebração litúrgica constitui o fundamento mais
sólido da V Conferência, porque põe na sua base a oração e a Eucaristia,
Sacramentum caritatis. Com efeito, só a caridade de Cristo,
emanada pelo Espírito Santo, pode fazer desta reunião um autentico
acontecimento eclesial, um momento de graça para este Continente
e para o mundo inteiro. Esta tarde terei a possibilidade de entrar
no mérito dos conteúdos sugeridos pelo tema da vossa Conferência.
Demos agora espaço à Palavra de Deus, que com alegria acolhemos,
com o coração aberto e dócil, a exemplo de Maria, Nossa Senhora
daew Conceição, a fim de que, pelo poder do Espírito Santo, Cristo
possa novamente «fazer-se carne» no hoje da nossa história.
A primeira Leitura,
tirada dos Atos dos Apóstolos, refere-se ao assim chamado
«Concílio de Jerusalém», que considerou a questão se aos pagãos
convertidos ao cristianismo dever-se-ia impor a observância da lei
mosaica. O texto, deixando de lado a discussão sobre «os Apóstolos
e os anciãos» (15,4-21), transcreve a decisão final, que vem posta
por escrito numa carta e confiada a dois delegados, a fim de que
seja entregue à comunidade de Antioquia (vv. 22-29). Esta página
dos Atos nos é muito apropriada, por termos vindo aqui para
uma reunião eclesial. Fala-nos do sentido do discernimento comunitário
em torno dos grandes problemas que a Igreja encontra ao longo do
seu caminho e que vem a ser esclarecidos pelos «Apóstolos» e pelos
«anciãos» com a luz do Espírito Santo, o qual, como nos narra o
Evangelho de hoje, lembra o ensinamento de Jesus Cristo (cf. Jo
14,26) ajudando assim a comunidade cristã a caminhar na caridade
em busca da verdade plena (cf. Jo 16,13). Os chefes da Igreja discutem
e se defrontam, sempre porém em atitude de religiosa escuta da Palavra
de Cristo no Espírito Santo. Por isso, no final podem afirmar: «Pareceu
bem ao Espírito Santo e a nós ...» (At 15,28).
Este é o «método»
com o qual nós agimos na Igreja, tanto nas pequenas como nas grandes
assembléias. Não é uma simples questão de procedimento; é o resultado
da mesma natureza da Igreja, mistério de comunhão com Cristo no
Espírito Santo. No caso das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano
e Caribenho, a primeira, realizada no Rio de Janeiro em 1955, recorreu
a uma Carta especial enviada pelo Papa Pio XII, de venerada memória;
nas outras, até a atual, foi o Bispo de Roma que se dirigiu à sede
da reunião continental para presidir as fases iniciais. Com devoto
reconhecimento dirigimos o nosso pensamento aos Servos de Deus Paulo
VI e João Paulo II que, nas Conferências de Medellín, Puebla e Santo
Domingo, testemunharam a proximidade da Igreja universal nas Igrejas
que estão na América Latina e que constituem em proporção, a maior
parte da Comunidade católica.
«Pareceu
bem ao Espírito Santo e a nós ...». Esta é a Igreja: nós,
a comunidade de fiéis, o Povo de Deus, com os seus Pastores chamados
a fazer de guia do caminho; juntos com o Espírito Santo,
Espírito do Pai mandado em nome do Filho Jesus, Espírito d’Aquele
que é «maior» de todos e que nos foi dado mediante Cristo, que se
fez «menor» por nossa causa. Espírito Paráclito, Ad-vocatus,
Defensor e Consolador. Ele nos faz viver na presença de Deus, na
escuta da sua Palavra, livres de inquietação e de temor, tendo no
coração a paz que Jesus nos deixou e que o mundo não pode dar (cf.
Jo 14, 26-27). O Espírito acompanha a Igreja no longo caminho que
se estende entre a primeira e a segunda vinda de Cristo: «Vou,
e volto a vós» (Jo 14,28), disse Jesus aos Apóstolos. Entre
a «ida» e a «volta» de Cristo está o tempo da Igreja, que é o seu
Corpo, estão esses dois mil anos transcorridos até agora; estão
também estes pouco mais de cinco séculos em que a Igreja fez-se
peregrina nas Américas, difundindo nos fiéis a vida de Cristo através
dos Sacramentos e lançando nestas terras a boa semente do Evangelho,
que rendeu trinta, sessenta e até mesmo o cento por um. Tempo da
Igreja, tempo do Espírito Santo</ />: Ele é o Mestre que forma
os discípulos: fá-los enamorar-se de Jesus; educa-os para
que escutem a sua Palavra, a fim de que contemplem a sua Face; conforma-os
à sua Humanidade bem-aventurada, pobre em espírito, aflita, mansa,
sedenta de justiça, misericordiosa, pura de coração, pacífica, perseguida
por causa da justiça (cf. Mt 5,3-10). Deste modo, graças à ação
do Espírito Santo, Jesus torna-se a «Via» na qual caminha o discípulo.
«Se alguém me ama, observará a minha palavra», diz Jesus no
início do trecho evangélico de hoje. «A palavra que tendes ouvido
não é minha, mas sim do Pai que me enviou» (Jo 14,23-24). Como
Jesus transmite as palavras do Pai, assim o Espírito recorda à Igreja
as palavras de Cristo (cf. Jo 14,26). E como o amor pelo Pai levava
Jesus a alimentar-se da sua vontade, assim o nosso amor por Jesus
se demonstra na obediência pelas suas palavras. A fidelidade de
Jesus à vontade do Pai pode transmitir-se aos discípulos graças
ao Espírito Santo, que derrama o amor de Deus nos seus corações
(cf. Rm 5,5).
O Novo Testamento
apresenta-nos a Cristo como missionário do Pai. Especialmente
no Evangelho de São João, Jesus fala de si tantas vezes a propósito
do Pai que O enviou ao mundo. Da mesma forma, também no texto de
hoje. Jesus diz: «A palavra que tendes ouvido não é minha, mas
sim do Pai que me enviou» (Jo 14,24). Neste momento, queridos
amigos, somos convidados a fixar nosso olhar n’Ele, porque a missão
da Igreja subsiste somente em quanto prolongação daquela de Cristo:
«Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós» (Jo
20,21). O evangelista põe em relevo, inclusive de forma plástica,
que esta consignação acontece no Espírito Santo: «Soprou sobre
eles dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo...’ » (Jo 20,22). A
missão de Cristo realizou-se no amor. Ele acendeu
no mundo o fogo da caridade de Deus (cf. Lc 12,49). É o amor
que dá a vida: por isso a Igreja é convidada a difundir no mundo
a caridade de Cristo, porque os homens e os povos «tenham a vida
e a tenham em abundância» (Jo 10,10). A vós também, que representais
a Igreja na América Latina, tenho a alegria entregar de novo idealmente
a minha Encíclica Deus caritas est, com a qual quis indicar
a todos o que é essencial na mensagem cristã. A Igreja se sente
discípula e missionária desse Amor : missionária somente
enquanto discípula, isto é capaz de deixar-se sempre atrair, com
renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (1Jo
4,10). A Igreja não faz proselitismo. Ela cresce muito mais por
«atração»: como Cristo «atrai todos a si» com a força do seu
amor, que culminou no sacrifício da Cruz, assim a Igreja cumpre
a sua missão na medida em que, associada a Cristo, cumpre a sua
obra conformando-se em espírito e concretamente com a caridade do
seu Senhor.
Queridos irmãos
e irmãs. Este é o rico tesouro do continente Latino-Americano; este
é seu patrimônio mais valioso: a fé em Deus Amor, que revelou
seu rosto em Jesus Cristo. Vós acreditais no Deus Amor: esta é vossa
força que vence o mundo, a alegria que nada nem ninguém vos poderá
arrebatar, a paz que Cristo conquistou para vós com sua Cruz! Esta
é a fé que fez da América Latina o «Continente da Esperança».
Não é uma ideologia política, nem um movimento social, como tampouco
um sistema econômico; é a fé em Deus Amor, encarnado, morto e ressuscitado
em Jesus Cristo, o autêntico fundamento desta esperança que produziu
frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje. Assim
o atesta a série de Santos e Beatos que o Espírito suscitou na grandeza
e largura deste Continente. O Papa João Paulo II vos convocou para
uma nova evangelização, e vós respondestes a seu chamado com a generosidade
e o compromisso que vos caracterizam. Eu os confirmo e, com palavras
desta Quinta Conferência, vos digo: sede discípulos fiéis, para
ser missionários valentes e eficazes.
A segunda Leitura
nos apresentou a grandiosa visão da Jerusalém celeste. É
uma imagem de esplêndida beleza, na qual nada é simplesmente decorativo,
mas tudo contribui à perfeita harmonia da Cidade santa. Escreve
o vidente João que esta «descida dos céus, enviada por Deus trazendo
a glória de Deus» (Ap 21, 10). Mas a glória de Deus é o Amor;
portanto, a Jerusalém celeste é ícone da Igreja inteira, santa e
gloriosa, sem mancha nem ruga (cf. Ef 5, 27), iluminada no centro
e em todas as partes pela presença de Deus-Caridade. É chamada «noiva»,
«a esposa do Cordeiro» (Ap 20, 9) porque nela se realiza a figura
nupcial que encontramos desde o princípio até o fim na revelação
bíblica. A Cidade-Esposa é pátria de plena comunhão de Deus com
os homens; ela não necessita templo algum nem nenhuma fonte externa
de luz, porque a presença de Deus e do Cordeiro é imanente e a ilumina
a partir de dentro.
Este ícone estupendo
tem um valor escatológico: expressa o mistério de beleza
que já constitui a forma da Igreja, mesmo que não tenha
ainda alcançado sua plenitude. É a meta de nossa peregrinação,
a pátria que nos espera e pela qual suspiramos. Vê-la com os olhos
da fé, contemplá-la e desejá-la, não deve ser motivo de evasão da
realidade histórica em que vive a Igreja compartilhando as alegrias
e as esperanças, as dores e as angústias da humanidade contemporânea,
especialmente dos mais pobres e dos que sofrem (cf. Gaudium et
spes, 1). Se a beleza da Jerusalém celeste é a glória de Deus,
ou seja, seu amor, é precisamente e somente na caridade como podemos
nos aproximar dela e, em certo modo, habitar nela. Quem ama o Senhor
Jesus e observa sua palavra experimenta já neste mundo a misteriosa
presença de Deus Uno e Trino, como escutamos no Evangelho: «Veremos
a ele e faremos morada nele» (Jo 14, 23). Por isso, todo cristão
é chamado a ser pedra viva desta maravilhosa «morada de Deus com
os homens». Que magnífica vocação!
Uma Igreja inteiramente
animada e mobilizada pela caridade de Cristo, Cordeiro imolado por
amor, é a imagem histórica da Jerusalém celeste, antecipação da
Cidade santa, resplandecente da glória de Deus. Ela emana uma
força missionária irresistível, que é a força da santidade.
A Virgem Maria alcance para a América Latina e no Caribe ser abundantemente
revestida da força do alto (cf. Lc 24,49) para irradiar no Continente
e em todo o mundo a santidade de Cristo. A Ele seja dada glória,
com o Pai e o Espírito Santo, nos séculos dos séculos.
Amém.
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domingo: 13 de maio de 2007
ABERTURA
DA V CONFERÊNCIA
BRASIL
- APARECIDA- 13.05.2007
Santuario de Nuestra Señora Aparecida
V
Conferencia General del Episcopado Latinoamericano y del Caribe
Queridos Hermanos
en el Episcopado, amados sacerdotes, religiosos, religiosas y laicos.
Queridos observadores de otras confesiones religiosas:
Es motivo de gran
alegría estar hoy aquí con vosotros para inaugurar la V Conferencia
General del Episcopado Latinoamericano y del Caribe, que se celebra
junto al Santuario de Nuestra Señora Aparecida, Patrona del Brasil.
Quiero que mis primeras palabras sean de acción de gracias y de
alabanza a Dios por el gran don de la fe cristiana a las gentes
de este Continente.
1.
La fe cristiana en América Latina
La fe en Dios ha
animado la vida y la cultura de estos pueblos durante más de cinco
siglos. Del encuentro de esa fe con las etnias originarias ha nacido
la rica cultura cristiana de este Continente expresada en el arte,
la música, la literatura y, sobre todo, en las tradiciones religiosas
y en la idiosincrasia de sus gentes, unidas por una misma historia
y un mismo credo, y formando una gran sintonía en la diversidad
de culturas y de lenguas. En la actualidad, esa misma fe ha de afrontar
serios retos, pues están en juego el desarrollo armónico de la sociedad
y la identidad católica de sus pueblos. A este respecto, la V Conferencia
General va a reflexionar sobre esta situación para ayudar a los
fieles cristianos a vivir su fe con alegría y coherencia, a tomar
conciencia de ser discípulos y misioneros de Cristo, enviados por
Él al mundo para anunciar y dar testimonio de nuestra fe y amor.
Pero, ¿qué ha significado
la aceptación de la fe cristiana para los pueblos de América Latina
y del Caribe? Para ellos ha significado conocer y acoger a Cristo,
el Dios desconocido que sus antepasados, sin saberlo, buscaban en
sus ricas tradiciones religiosas. Cristo era el Salvador que anhelaban
silenciosamente. Ha significado también haber recibido, con las
aguas del bautismo, la vida divina que los hizo hijos de Dios por
adopción; haber recibido, además, el Espíritu Santo que ha venido
a fecundar sus culturas, purificándolas y desarrollando los numerosos
gérmenes y semillas que el Verbo encarnado había puesto en ellas,
orientándolas así por los caminos del Evangelio. En efecto, el anuncio
de Jesús y de su Evangelio no supuso, en ningún momento, una alienación
de las culturas precolombinas, ni fue una imposición de una cultura
extraña. Las auténticas culturas no están cerradas en sí mismas
ni petrificadas en un determinado punto de la historia, sino que
están abiertas, más aún, buscan el encuentro con otras culturas,
esperan alcanzar la universalidad en el encuentro y el diálogo con
otras formas de vida y con los elementos que puedan llevar a una
nueva síntesis en la que se respete siempre la diversidad de las
expresiones y de su realización cultural concreta.
En última instancia,
sólo la verdad unifica y su prueba es el amor. Por eso Cristo, siendo
realmente el Logos encarnado, “el amor hasta el extremo”, no es
ajeno a cultura alguna ni a ninguna persona; por el contrario, la
respuesta anhelada en el corazón de las culturas es lo que les da
su identidad última, uniendo a la humanidad y respetando a la vez
la riqueza de las diversidades, abriendo a todos al crecimiento
en la verdadera humanización, en el auténtico progreso. El Verbo
de Dios, haciéndose carne en Jesucristo, se hizo también historia
y cultura.
La utopía de volver
a dar vida a las religiones precolombinas, separándolas de Cristo
y de la Iglesia universal, no sería un progreso, sino un retroceso.
En realidad sería una involución hacia un momento histórico anclado
en el pasado.
La sabiduría de
los pueblos originarios les llevó afortunadamente a formar una síntesis
entre sus culturas y la fe cristiana que los misioneros les ofrecían.
De allí ha nacido la rica y profunda religiosidad popular, en la
cual aparece el alma de los pueblos latinoamericanos:
-
El amor a Cristo sufriente, el Dios de la compasión, del perdón
y de la reconciliación; el Dios que nos ha amado hasta entregarse
por nosotros;
-
El amor al Señor presente en la Eucaristía, el Dios encarnado, muerto
y resucitado para ser Pan de Vida;
-
El Dios cercano a los pobres y a los que sufren;
-
La profunda devoción a la Santísima Virgen de Guadalupe, de Aparecida
o de las diversas advocaciones nacionales y locales. Cuando la Virgen
de Guadalupe se apareció al indio san Juan Diego le dijo estas significativas
palabras: “¿No estoy yo aquí que soy tu madre?, ¿no estás bajo
mi sombra y resguardo?, ¿no soy yo la fuente de tu alegría?, ¿no
estás en el hueco de mi manto, en el cruce de mis brazos?” (Nican
Mopohua, nn. 118-119 ).
Esta religiosidad
se expresa también en la devoción a los santos con sus fiestas patronales,
en el amor al Papa y a los demás Pastores, en el amor a la Iglesia
universal como gran familia de Dios que nunca puede ni debe dejar
solos o en la miseria a sus propios hijos. Todo ello forma el gran
mosaico de la religiosidad popular que es el precioso tesoro de
la Iglesia católica en América Latina, y que ella debe proteger,
promover y, en lo que fuera necesario, también purificar.
2.
Continuidad con las otras Conferencias
Esta V Conferencia
General se celebra en continuidad con las otras cuatro que la precedieron
en Río de Janeiro, Medellín, Puebla y Santo Domingo. Con el mismo
espíritu que las animó, los Pastores quieren dar ahora un nuevo
impulso a la evangelización, a fin de que estos pueblos sigan creciendo
y madurando en su fe, para ser luz del mundo y testigos de Jesucristo
con la propia vida.
Después de la IV
Conferencia General, en Santo Domingo, muchas cosas han cambiado
en la sociedad. La Iglesia, que participa de los gozos y esperanzas,
de las penas y alegrías de sus hijos, quiere caminar a su lado en
este período de tantos desafíos, para infundirles siempre esperanza
y consuelo (cf. Gaudium et spes, 1).
En el mundo
de hoy se da el fenómeno de la globalización como un entramado
de relaciones a nivel planetario. Aunque en ciertos aspectos es
un logro de la gran familia humana y una señal de su profunda aspiración
a la unidad, sin embargo comporta también el riesgo de los grandes
monopolios y de convertir el lucro en valor supremo. Como en todos
los campos de la actividad humana, la globalización debe regirse
también por la ética, poniendo todo al servicio de la persona humana,
creada a imagen y semejanza de Dios.
En América Latina
y el Caribe, igual que en otras regiones, se ha evolucionado
hacia la democracia, aunque haya motivos de preocupación ante formas
de gobierno autoritarias o sujetas a ciertas ideologías que se creían
superadas, y que no corresponden con la visión cristiana del hombre
y de la sociedad, como nos enseña la Doctrina social de la Iglesia.
Por otra parte, la economía liberal de algunos países latinoamericanos
ha de tener presente la equidad, pues siguen aumentando los sectores
sociales que se ven probados cada vez más por una enorme pobreza
o incluso expoliados de los propios bienes naturales.
En las Comunidades
eclesiales de América Latina es notable la madurez en la fe
de muchos laicos y laicas activos y entregados al Señor, junto con
la presencia de muchos abnegados catequistas, de tantos jóvenes,
de nuevos movimientos eclesiales y de recientes Institutos de vida
consagrada. Se demuestran fundamentales muchas obras católicas educativas,
asistenciales y hospitalitarias. Se percibe, sin embargo, un cierto
debilitamiento de la vida cristiana en el conjunto de la sociedad
y de la propia pertenencia a la Iglesia católica debido al secularismo,
al hedonismo, al indiferentismo y al proselitismo de numerosas sectas,
de religiones animistas y de nuevas expresiones seudoreligiosas.
Todo ello configura
una situación nueva que será analizada aquí, en Aparecida. Ante
la nueva encrucijada, los fieles esperan de esta V Conferencia una
renovación y revitalización de su fe en Cristo, nuestro único Maestro
y Salvador, que nos ha revelado la experiencia única del Amor infinito
de Dios Padre a los hombres. De esta fuente podrán surgir nuevos
caminos y proyectos pastorales creativos, que infundan una firme
esperanza para vivir de manera responsable y gozosa la fe e irradiarla
así en el propio ambiente.
3.
Discípulos y misioneros
Esta Conferencia
General tiene como tema: “Discípulos y misioneros de Jesucristo,
para que nuestros pueblos en Él tengan vida. -Yo soy el Camino,
la Verdad y la Vida-” (Jn 14,6).
La Iglesia tiene
la gran tarea de custodiar y alimentar la fe del Pueblo de Dios,
y recordar también a los fieles de este Continente que, en virtud
de su bautismo, están llamados a ser discípulos y misioneros
de Jesucristo. Esto conlleva seguirlo, vivir en intimidad con Él,
imitar su ejemplo y dar testimonio. Todo bautizado recibe de Cristo,
como los Apóstoles, el mandato de la misión: “Id por todo el
mundo y proclamad la Buena Nueva a toda la creación. El que crea
y sea bautizado, se salvará” (Mc 16,15). Pues ser discípulos
y misioneros de Jesucristo y buscar la vida “en Él” supone estar
profundamente enraizados en Él.
¿Qué nos da Cristo
realmente?¿Por qué queremos ser discípulos de Cristo? Porque esperamos
encontrar en la comunión con Él la vida, la verdadera vida digna
de este nombre, y por esto queremos darlo a conocer a los demás,
comunicarles el don que hemos hallado en Él. Pero, ¿es esto así?
¿Estamos realmente convencidos de que Cristo es el camino, la verdad
y la vida?
Ante la prioridad
de la fe en Cristo y de la vida “en Él”, formulada en el título
de esta V Conferencia, podría surgir también otra cuestión: Esta
prioridad, ¿no podría ser acaso una fuga hacia el intimismo, hacia
el individualismo religioso, un abandono de la realidad urgente
de los grandes problemas económicos, sociales y políticos de América
Latina y del mundo, y una fuga de la realidad hacia un mundo espiritual?
Como primer paso
podemos responder a esta pregunta con otra: ¿Qué es esta “realidad”?
¿Qué es lo real? ¿Son “realidad” sólo los bienes materiales, los
problemas sociales, económicos y políticos? Aquí está precisamente
el gran error de las tendencias dominantes en el último siglo, error
destructivo, como demuestran los resultados tanto de los sistemas
marxistas como incluso de los capitalistas. Falsifican el concepto
de realidad con la amputación de la realidad fundante y por esto
decisiva, que es Dios. Quien excluye a Dios de su horizonte falsifica
el concepto de “realidad” y, en consecuencia, sólo puede terminar
en caminos equivocados y con recetas destructivas.
La primera afirmación
fundamental es, pues, la siguiente: Sólo quien reconoce a Dios,
conoce la realidad y puede responder a ella de modo adecuado y realmente
humano. La verdad de esta tesis resulta evidente ante el fracaso
de todos los sistemas que ponen a Dios entre paréntesis.
Pero surge inmediatamente
otra pregunta: ¿Quién conoce a Dios? ¿Cómo podemos conocerlo? No
podemos entrar aquí en un complejo debate sobre esta cuestión fundamental.
Para el cristiano el núcleo de la respuesta es simple: Sólo Dios
conoce a Dios, sólo su Hijo que es Dios de Dios, Dios verdadero,
lo conoce. Y Él, “que está en el seno del Padre, lo ha contado”
(Jn 1,18). De aquí la importancia única e insustituible de
Cristo para nosotros, para la humanidad. Si no conocemos a Dios
en Cristo y con Cristo, toda la realidad se convierte en un enigma
indescifrable; no hay camino y, al no haber camino, no hay vida
ni verdad.
Dios es la realidad
fundante, no un Dios sólo pensado o hipotético, sino el Dios de
rostro humano; es el Dios-con-nosotros, el Dios del amor hasta la
cruz. Cuando el discípulo llega a la comprensión de este amor de
Cristo “hasta el extremo”, no puede dejar de responder a este amor
sino es con un amor semejante: “Te seguiré adondequiera que vayas”
(Lc 9,57).
Todavía nos podemos
hacer otra pregunta: ¿Qué nos da la fe en este Dios? La primera
respuesta es: nos da una familia, la familia universal de Dios en
la Iglesia católica. La fe nos libera del aislamiento del yo, porque
nos lleva a la comunión: el encuentro con Dios es, en sí mismo y
como tal, encuentro con los hermanos, un acto de convocación, de
unificación, de responsabilidad hacia el otro y hacia los demás.
En este sentido, la opción preferencial por los pobres está implícita
en la fe cristológica en aquel Dios que se ha hecho pobre por nosotros,
para enriquecernos con su pobreza (cf. 2 Co 8,9).
Pero antes de afrontar
lo que comporta el realismo de la fe en el Dios hecho hombre, tenemos
que profundizar en la pregunta: ¿cómo conocer realmente a Cristo
para poder seguirlo y vivir con Él, para encontrar la vida en Él
y para comunicar esta vida a los demás, a la sociedad y al mundo?
Ante todo, Cristo se nos da a conocer en su persona, en su vida
y en su doctrina por medio de la Palabra de Dios. Al iniciar la
nueva etapa que la Iglesia misionera de America Latina y del Caribe
se dispone a emprender, a partir de esta V Conferencia General en
Aparecida, es condición indispensable el conocimiento profundo de
la Palabra de Dios.
Por esto, hay que
educar al pueblo en la lectura y meditación de la Palabra de Dios:
que ella se convierta en su alimento para que, por propia experiencia,
vean que las palabras de Jesús son espíritu y vida (cf. Jn
6,63). De lo contrario, ¿cómo van a anunciar un mensaje cuyo contenido
y espíritu no conocen a fondo? Hemos de fundamentar nuestro compromiso
misionero y toda nuestra vida en la roca de la Palabra de Dios.
Para ello, animo a los Pastores a esforzarse en darla a conocer.
Un gran medio para
introducir al Pueblo de Dios en el misterio de Cristo es la catequesis.
En ella se trasmite de forma sencilla y substancial el mensaje de
Cristo. Convendrá por tanto intensificar la catequesis y la formación
en la fe, tanto de los niños como de los jóvenes y adultos. La reflexión
madura de la fe es luz para el camino de la vida y fuerza para ser
testigos de Cristo. Para ello se dispone de instrumentos muy valiosos
como son el Catecismo de la Iglesia Católica y su versión
más breve, el Compendio del Catecismo de la Iglesia Católica.
En este campo no
hay que limitarse sólo a las homilías, conferencias, cursos de Biblia
o teología, sino que se ha de recurrir también a los medios de comunicación:
prensa, radio y televisión, sitios de internet, foros y tantos otros
sistemas para comunicar eficazmente el mensaje de Cristo a un gran
número de personas.
En este esfuerzo
por conocer el mensaje de Cristo y hacerlo guía de la propia vida,
hay que recordar que la evangelización ha ido unida siempre a la
promoción humana y a la auténtica liberación cristiana. “Amor
a Dios y amor al prójimo se funden entre sí: en el más humilde encontramos
a Jesús mismo y en Jesús encontramos a Dios” (Deus caritas
est, 15). Por lo mismo, será también necesaria una catequesis
social y una adecuada formación en la doctrina social de la Iglesia,
siendo muy útil para ello el “Compendio de la Doctrina Social
de la Iglesia”. La vida cristiana no se expresa solamente en
las virtudes personales, sino también en las virtudes sociales y
políticas.
El discípulo, fundamentado
así en la roca de la Palabra de Dios, se siente impulsado a llevar
la Buena Nueva de la salvación a sus hermanos. Discipulado y
misión son como las dos caras de una misma medalla: cuando el
discípulo está enamorado de Cristo, no puede dejar de anunciar al
mundo que sólo Él nos salva (cf. Hch 4,12). En efecto, el
discípulo sabe que sin Cristo no hay luz, no hay esperanza, no hay
amor, no hay futuro.
4.
“Para que en Él tengan vida”
Los pueblos latinoamericanos
y caribeños tienen derecho a una vida plena, propia de los hijos
de Dios, con unas condiciones más humanas: libres de las amenazas
del hambre y de toda forma de violencia. Para estos pueblos, sus
Pastores han de fomentar una cultura de la vida que permita, como
decía mi predecesor Pablo VI, “pasar de la miseria a la posesión
de lo necesario, a la adquisición de la cultura… a la cooperación
en el bien común… hasta el reconocimiento, por parte del hombre,
de los valores supremos y de Dios, que de ellos es la fuente y el
fin” (Populorum progressio, 21).
En este contexto
me es grato recordar la Encíclica “Populorum progressio”,
cuyo 40 aniversario recordamos este año. Este documento pontificio
pone en evidencia que el desarrollo auténtico ha de ser integral,
es decir, orientado a la promoción de todo el hombre y de todos
los hombres (cf. n. 14), e invita a todos a suprimir las graves
desigualdades sociales y las enormes diferencias en el acceso a
los bienes. Estos pueblos anhelan, sobre todo, la plenitud de vida
que Cristo nos ha traído: “Yo he venido para que tengan vida
y la tengan en abundancia” (Jn 10,10). Con esta vida
divina se desarrolla también en plenitud la existencia humana, en
su dimensión personal, familiar, social y cultural.
Para formar al
discípulo y sostener al misionero en su gran tarea, la Iglesia les
ofrece, además del Pan de la Palabra, el Pan de la Eucaristía. A
este respecto nos inspira e ilumina la página del Evangelio sobre
los discípulos de Emaús. Cuando éstos se sientan a la mesa y reciben
de Jesucristo el pan bendecido y partido, se les abren los ojos,
descubren el rostro del Resucitado, sienten en su corazón que es
verdad todo lo que Él ha dicho y hecho, y que ya ha iniciado la
redención del mundo. Cada domingo y cada Eucaristía es un encuentro
personal con Cristo. Al escuchar la Palabra divina, el corazón arde
porque es Él quien la explica y proclama. Cuando en la Eucaristía
se parte el pan, es a Él a quien se recibe personalmente. La Eucaristía
es el alimento indispensable para la vida del discípulo y misionero
de Cristo.
La
Misa dominical, centro de la vida cristiana
De aquí la necesidad
de dar prioridad, en los programas pastorales, a la valorización
de la Misa dominical. Hemos de motivar a los cristianos para que
participen en ella activamente y, si es posible, mejor con la familia.
La asistencia de los padres con sus hijos a la celebración eucarística
dominical es una pedagogía eficaz para comunicar la fe y un estrecho
vínculo que mantiene la unidad entre ellos. El domingo ha significado,
a lo largo de la vida de la Iglesia, el momento privilegiado del
encuentro de las comunidades con el Señor resucitado.
Es necesario que
los cristianos experimenten que no siguen a un personaje de la historia
pasada, sino a Cristo vivo, presente en el hoy y el ahora
de sus vidas. Él es el Viviente que camina a nuestro lado, descubriéndonos
el sentido de los acontecimientos, del dolor y de la muerte, de
la alegría y de la fiesta, entrando en nuestras casas y permaneciendo
en ellas, alimentándonos con el Pan que da la vida. Por eso la celebración
dominical de la Eucaristía ha de ser el centro de la vida cristiana.
El encuentro con
Cristo en la Eucaristía suscita el compromiso de la evangelización
y el impulso a la solidaridad; despierta en el cristiano el fuerte
deseo de anunciar el Evangelio y testimoniarlo en la sociedad para
que sea más justa y humana. De la Eucaristía ha brotado a lo largo
de los siglos un inmenso caudal de caridad, de participación en
las dificultades de los demás, de amor y de justicia. ¡Sólo de la
Eucaristía brotará la civilización del amor, que transformará Latinoamérica
y el Caribe para que, además de ser el Continente de la Esperanza,
sea también el Continente del Amor!
Los
problemas sociales y políticos
Llegados a este
punto podemos preguntarnos ¿cómo puede contribuir la Iglesia a la
solución de los urgentes problemas sociales y políticos, y responder
al gran desafío de la pobreza y de la miseria? Los problemas de
América Latina y del Caribe, así como del mundo de hoy, son múltiples
y complejos, y no se pueden afrontar con programas generales. Sin
embargo, la cuestión fundamental sobre el modo cómo la Iglesia,
iluminada por la fe en Cristo, deba reaccionar ante estos desafíos,
nos concierne a todos. En este contexto es inevitable hablar del
problema de las estructuras, sobre todo de las que crean injusticia.
En realidad, las estructuras justas son una condición sin la cual
no es posible un orden justo en la sociedad. Pero, ¿cómo nacen?,
¿cómo funcionan? Tanto el capitalismo como el marxismo prometieron
encontrar el camino para la creación de estructuras justas y afirmaron
que éstas, una vez establecidas, funcionarían por sí mismas; afirmaron
que no sólo no habrían tenido necesidad de una precedente moralidad
individual, sino que ellas fomentarían la moralidad común. Y esta
promesa ideológica se ha demostrado que es falsa. Los hechos lo
ponen de manifiesto. El sistema marxista, donde ha gobernado, no
sólo ha dejado una triste herencia de destrucciones económicas y
ecológicas, sino también una dolorosa destrución del espíritu. Y
lo mismo vemos también en occidente, donde crece constantemente
la distancia entre pobres y ricos y se produce una inquietante degradación
de la dignidad personal con la droga, el alcohol y los sutiles espejismos
de felicidad.
Las estructuras
justas son, como he dicho, una condición indispensable para una
sociedad justa, pero no nacen ni funcionan sin un consenso moral
de la sociedad sobre los valores fundamentales y sobre la necesidad
de vivir estos valores con las necesarias renuncias, incluso contra
el interés personal.
Donde Dios está
ausente – el Dios del rostro humano de Jesucristo – estos valores
no se muestran con toda su fuerza, ni se produce un consenso sobre
ellos. No quiero decir que los no creyentes no puedan vivir una
moralidad elevada y ejemplar; digo solamente que una sociedad en
la que Dios está ausente no encuentra el consenso necesario sobre
los valores morales y la fuerza para vivir según la pauta de estos
valores, aun contra los propios intereses.
Por otro lado,
las estructuras justas han de buscarse y elaborarse a la luz de
los valores fundamentales, con todo el empeño de la razón política,
económica y social. Son una cuestión de la recta ratio y
no provienen de ideologías ni de sus promesas. Ciertamente existe
un tesoro de experiencias políticas y de conocimientos sobre los
problemas sociales y económicos, que evidencian elementos fundamentales
de un estado justo y los caminos que se han de evitar. Pero en situaciones
culturales y políticas diversas, y en el cambio progresivo de las
tecnologías y de la realidad histórica mundial, se han de buscar
de manera racional las respuestas adecuadas y debe crearse – con
los compromisos indispensables – el consenso sobre las estructuras
que se han de establecer.
Este trabajo político
no es competencia inmediata de la Iglesia. El respeto de una sana
laicidad – incluso con la pluralidad de las posiciones políticas
– es esencial en la tradición cristiana auténtica. Si la Iglesia
comenzara a transformarse directamente en sujeto político, no haría
más por los pobres y por la justicia, sino que haría menos, porque
perdería su independencia y su autoridad moral, identificándose
con una única vía política y con posiciones parciales opinables.
La Iglesia es abogada de la justicia y de los pobres, precisamente
al no identificarse con los políticos ni con los intereses de partido.
Sólo siendo independiente puede enseñar los grandes criterios y
los valores inderogables, orientar las conciencias y ofrecer una
opción de vida que va más allá del ámbito político. Formar las conciencias,
ser abogada de la justicia y de la verdad, educar en las virtudes
individuales y políticas, es la vocación fundamental de la Iglesia
en este sector. Y los laicos católicos deben ser concientes de su
responsabilidad en la vida pública; deben estar presentes en la
formación de los consensos necesarios y en la oposición contra las
injusticias.
Las estructuras
justas jamás serán completas de modo definitivo; por la constante
evolución de la historia, han de ser siempre renovadas y actualizadas;
han de estar animadas siempre por un “ethos” político y humano,
por cuya presencia y eficiencia se ha de trabajar siempre. Con otras
palabras, la presencia de Dios, la amistad con el Hijo de Dios encarnado,
la luz de su Palabra, son siempre condiciones fundamentales para
la presencia y eficiencia de la justicia y del amor en nuestras
sociedades.
Por tratarse de
un Continente de bautizados, conviene colmar la notable ausencia,
en el ámbito político, comunicativo y universitario, de voces e
iniciativas de líderes católicos de fuerte personalidad y de vocación
abnegada, que sean coherentes con sus convicciones éticas y religiosas.
Los movimientos eclesiales tienen aquí un amplio campo para recordar
a los laicos su responsabilidad y su misión de llevar la luz del
Evangelio a la vida pública, cultural, económica y política.
5.
Otros campos prioritarios
Para llevar a cabo
la renovación de la Iglesia a vosotros confiada en estas tierras,
quisiera fijar la atención con vosotros sobre algunos campos que
considero prioritarios en esta nueva etapa.
La
familia
La familia, “patrimonio
de la humanidad”, constituye uno de los tesoros más importantes
de los pueblos latinoamericanos. Ella ha sido y es escuela de la
fe, palestra de valores humanos y cívicos, hogar en el que la vida
humana nace y se acoge generosa y responsablemente. Sin embargo,
en la actualidad sufre situaciones adversas provocadas por el secularismo
y el relativismo ético, por los diversos flujos migratorios internos
y externos, por la pobreza, por la inestabilidad social y por legislaciones
civiles contrarias al matrimonio que, al favorecer los anticonceptivos
y el aborto, amenazan el futuro de los pueblos.
En algunas familias
de América Latina persiste aún por desgracia una mentalidad machista,
ignorando la novedad del cristianismo que reconoce y proclama la
igual dignidad y responsabilidad de la mujer respecto al hombre.
La familia es insustituible
para la serenidad personal y para la educación de los hijos. Las
madres que quieren dedicarse plenamente a la educación de sus hijos
y al servicio de la familia han de gozar de las condiciones necesarias
para poderlo hacer, y para ello tienen derecho a contar con el apoyo
del Estado. En efecto, el papel de la madre es fundamental para
el futuro de la sociedad.
El padre, por su
parte, tiene el deber de ser verdaderamente padre, que ejerce
su indispensable responsabilidad y colaboración en la educación
de sus hijos. Los hijos, para su crecimiento integral, tienen el
derecho de poder contar con el padre y la madre, para que cuiden
de ellos y los acompañen hacia la plenitud de su vida. Es necesaria,
pues, una pastoral familiar intensa y vigorosa. Es indispensable
también promover políticas familiares auténticas que respondan a
los derechos de la familia como sujeto social imprescindible. La
familia forma parte del bien de los pueblos y de la humanidad entera.
Os
sacerdotes
Os primeiros promotores do discipulado e da missão são aqueles que
foram chamados «para estar com Jesus e ser enviados a pregar»
(cf. Mc 3,14), ou seja, os sacerdotes. Eles devem receber
de modo preferencial a atenção e o cuidado paterno dos seus Bispos,
pois são os primeiros agentes de uma autentica renovação da vida
cristã no povo de Deus. A eles quero dirigir uma palavra de afeto
paterno desejando «que o Senhor seja parte da sua herança e do
seu cálice» (cf. Sl 16,5). Se o sacerdote fizer
de Deus o fundamento e o centro de sua vida, então experimentará
a alegria e a fecundidade da sua vocação. O sacerdote deve ser antes
de tudo um “homem de Deus” (1Tim 6,11); um homem que conhece
a Deus “em primeira mão”, que cultiva uma profunda amizade pessoal
com Jesus, que compartilha os “sentimentos de Jesus” (cf. Fil
2,5). Somente assim o sacerdote será capaz de levar Deus - o Deus
encarnado em Jesus Cristo - aos homens, e de ser representante do
seu amor. Para cumprir a sua altíssima missão deve possuir uma sólida
estrutura espiritual e viver toda a existência animado pela fé,
a esperança e a caridade. Tem de ser, como Jesus, um homem que procure,
através da oração, o rosto e a vontade de Deus, cultivando igualmente
sua preparação cultural e intelectual.
Queridos sacerdotes deste Continente e quantos que, como missionários,
nele viestes a trabalhar: o Papa acompanha vossa atividade pastoral
e deseja que estejam repletos de consolações e de esperança, e reza
por vocês.
Religiosos,
religiosas e consagrados
Quero dirigir-me também aos religiosos, às religiosas e aos leigos
e leigas consagrados. A sociedade latino-americana e caribenha tem
necessidade do vosso testemunho: em um mundo que tantas vezes busca,
sobretudo, o bem-estar, a riqueza e o prazer como finalidade da
vida, e que exalta a liberdade prescindindo da verdade do homem
criado por Deus, vocês são testemunhas de que existe outra forma
de viver com sentido; lembrem aos vossos irmãos e irmãs que o Reino
de Deus chegou; que a justiça e a verdade são possíveis se nos abrimos
à presença amorosa de Deus nosso Pai, de Cristo nosso irmão e Senhor,
do Espírito Santo nosso Consolador. Com generosidade e até ao heroísmo,
continuai trabalhando para que na sociedade reine o amor, a justiça,
a bondade, o serviço, a solidariedade conforme o carisma dos vossos
fundadores. Abraçai com profunda alegria vossa consagração, que
é instrumento de santificação para vocês e de redenção para vossos
irmãos.
A Igreja da América Latina vos agradece pelo grande trabalho que
vindes realizando ao longo dos séculos pelo Evangelho de Cristo
a favor de vossos irmãos, principalmente pelos mais pobres e marginalizados.
Convido a todos para que colaborem sempre com os Bispos, trabalhando
unidos a eles que são os responsáveis pela pastoral. Exorto-vos
também a uma obediência sincera à autoridade da Igreja. Não tenham
outro ideal que não seja a santidade conforme os ensinamentos de
vossos fundadores.
Os
leigos
Nesta hora em que a Igreja deste Continente se entrega plenamente
à sua vocação missionária, lembro aos leigos que são também Igreja,
assembléia convocada por Cristo para levar seu testemunho ao mundo
inteiro. Todos os homens e mulheres batizados devem tomar consciência
de que foram configurados com Cristo Sacerdote, Profeta e Pastor,
através do sacerdócio comum do Povo de Deus. Devem sentir-se co-responsáveis
na construção da sociedade segundo os critérios do Evangelho, com
entusiasmo e audácia, em comunhão com os seus Pastores.
São muitos os fiéis que pertencem a movimentos eclesiais,
nos quais podemos ver os sinais da multiforme presença e ação santificadora
do Espírito Santo na Igreja e na sociedade atual. Eles são chamados
para levar ao mundo o testemunho de Jesus Cristo e ser fermento
do amor de Deus na sociedade.
Os
Jovens e a pastoral vocacional
Na América Latina a maioria da população está formada por jovens.
A este respeito, devemos recordar-lhes que sua vocação é ser amigos
de Cristo, discípulos, sentinelas do amanhã, como costumava dizer
o meu Predecessor João Paulo II. Os jovens não temem o sacrifício,
mas, sim, uma vida sem sentido. São sensíveis à chamada de Cristo
que os convida a segui-Lo. Podem responder a essa chamada como sacerdotes,
como consagrados e consagradas, ou ainda como pais e mães de família,
dedicados totalmente a servir aos seus irmãos com todo o seu tempo,
sua capacidade de entrega e com a vida inteira. Os jovens encaram
a existência como uma constante descoberta, não se limitando às
modas e tendências comuns, indo mais além com uma curiosidade radical
acerca do sentido da vida, e de Deus Pai-Criador e Deus-Filho Redentor
no seio da família humana. Eles devem-se comprometer por uma constante
renovação do mundo à luz de Deus. Mais ainda: cabe-lhes a tarefa
de opor-se às fáceis ilusões da felicidade imediata e dos paraísos
enganosos da droga, do prazer, do álcool, junto com todas as formas
de violência.
6.
“Quédate con nosotros”
Los trabajos de
esta V Conferencia General nos llevan a hacer nuestra la súplica
de los discípulos de Emaús: “Quédate con nosotros, porque atardece
y el día ya ha declinado” (Lc 24, 29).
Quédate con
nosotros, Señor, acompáñanos aunque no siempre hayamos sabido reconocerte.
Quédate con nosotros, porque en torno a nosotros se van haciendo
más densas las sombras, y tú eres la Luz; en nuestros corazones
se insinúa la desesperanza, y tú los haces arder con la certeza
de la Pascua. Estamos cansados del camino, pero tú nos confortas
en la fracción del pan para anunciar a nuestros hermanos que en
verdad tú has resucitado y que nos has dado la misión de ser testigos
de tu resurrección.
Quédate con
nosotros, Señor, cuando en torno a nuestra fe católica surgen las
nieblas de la duda, del cansancio o de la dificultad: tú, que eres
la Verdad misma como revelador del Padre, ilumina nuestras mentes
con tu Palabra; ayúdanos a sentir la belleza de creer en ti.
Quédate en nuestras
familias, ilumínalas en sus dudas, sosténlas en sus dificultades,
consuélalas en sus sufrimientos y en la fatiga de cada día, cuando
en torno a ellas se acumulan sombras que amenazan su unidad y su
naturaleza. Tú que eres la Vida, quédate en nuestros hogares, para
que sigan siendo nidos donde nazca la vida humana abundante y generosamente,
donde se acoja, se ame, se respete la vida desde su concepción hasta
su término natural.
Quédate, Señor,
con aquéllos que en nuestras sociedades son más vulnerables; quédate
con los pobres y humildes, con los indígenas y afroamericanos, que
no siempre han encontrado espacios y apoyo para expresar la riqueza
de su cultura y la sabiduría de su identidad. Quédate, Señor, con
nuestros niños y con nuestros jóvenes, que son la esperanza y la
riqueza de nuestro Continente, protégelos de tantas insidias que
atentan contra su inocencia y contra sus legítimas esperanzas.¡Oh
buen Pastor, quédate con nuestros ancianos y con nuestros enfermos.
¡Fortalece a todos en su fe para que sean tus discípulos y misioneros!
Conclusión
Al concluir mi
permanencia entre vosotros, deseo invocar la protección de la Madre
de Dios y Madre de la Iglesia sobre vuestras personas y sobre toda
América Latina y el Caribe. Imploro de modo especial a Nuestra Señora
– bajo la advocación de Guadalupe, Patrona de América, y de Aparecida,
Patrona de Brasil - que os acompañe en vuestra hermosa y exigente
labor pastoral. A ella confío el Pueblo de Dios en esta etapa del
tercer Milenio cristiano. A ella le pido también que guíe los trabajos
y reflexiones de esta Conferencia General, y que bendiga con abundantes
dones a los queridos pueblos de este Continente.
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segunda: 14 de maio de 2007
Ontem, dia 13, na
despedida do Brasil, dirigindo-se ao vice-presidente da República,
José de Alencar, o papa afirmou ter vivido momentos inesquecíveis
no Brasil e que guardará na memória o entusiasmo do povo brasileiro.
Disse ele:
'Ao deixar esta terra
abençoada do Brasil, eleva-se na minha alma um hino de ação de graças
ao Altíssimo, que me permitiu viver aqui horas intensas e inesquecíveis,
como o olhar dirigido à Senhora Aparecida que, do seu Santuário,
presidiu o inicio da 5º Conferência Geral do Episcopado Latino Americano
e do Caribe. Na minha memória ficarão para sempre gravadas as manifestações
de entusiasmo e de profunda piedade deste povo generoso da Terra
da Santa Cruz que, junto à multidão de peregrinos provindos deste
continente da esperança, soube dar uma pujante demonstração de fé
em Cristo e de amor pelo sucessor de Pedro'.
O papa fez
uma saudação também ao presidente da República, Luiz Inácio Lula
da Silva, ao governador de São Paulo, José Serra, e demais autoridades
do país:
'Tende a certeza
de que levo a todos no meu coração, donde brota a bênção que vos
concedo e que faço extensiva a todos os povos da América Latina
e do mundo. Muito obrigado'.
O vice-presidente
aproveitou a despedida do papa para dizer, em seu discurso, que
é católico, contra o aborto, além de destacar ações do governo nas
áreas de educação e moradia. 'A visita do papa fortalece os valores
e premissas da nossa sociedade. Abre espaço e reflexão para as pessoas
perceberem que o desamor não compensa'.
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