Pastoral Social
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História da Pastoral Social
A Pastoral Social teve início em nossa paróquia em outubro 1999. No princípio começamos atender as famílias que participavam do Plantão de Oração e a partir daí iniciamos com a triagem e visitas domiciliares para termos conhecimento exato de cada situação e para que cada família estivesse enquadrada na sua paróquia. Faz parte da área rural a Fazenda Retiro cuja propriedade é do Grupo Cosan, mas tem o trabalho da lavoura da cana de açúcar terceirizado, a Fazenda Prezotto que pertence a Usina Furlan e o próprio bairro do Santo Antonio do Sapezeiro. O serviço Social visita mensalmente as famílias que são assistidas pela pastoral; as quais recebem cesta básica, leite (em casos de crianças e gestantes). Na área rural uma parte das famílias é migrante; pois venham para o período da safra da cana de açúcar. E a parte central que pertence a nossa paróquia tem famílias que são atendidas também pela nossa pastoral. A pastoral conta com o Plantão do S. Social de segunda e sexta-feira no horário das 8:00 às 11:00 horas e de quarta-feira das 13:00 às 16:00 horas. As famílias que procuram o serviço Social geralmente são para solicitar: cesta básica, medicamentos, roupas, cobertores; isso em decorrência do desemprego falta de qualidade para certos cargos, casos de doenças e outras dificuldades. Nesses casos são atendidas no que nos compete enquanto serviço Social paroquial ou então encaminhadas para os recursos da comunidade. Para isso contamos com o apoio de toda a nossa sociedade, dos órgãos públicos, do comércio e de empresários e temos um grupo de voluntários que auxiliam no trabalho social. A pastoral recebe mensalmente doação de empresas, assim como das demais pastoris da nossa paróquia que sempre doam alimentos, leite que arrecadam em suas campanhas. As voluntárias também colaboram nas datas comemorativas, como: Páscoa, Semana da Criança, Natal, Festa da Padroeira, Jantares, etc. A Pastoral Social procura apoiar todas as atividades de outras pastorais: Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde (famílias com doentes recebem cesta básicas, medicamentos se necessário, fraldas, etc. e fazendo um acompanhamento através da visitas do serviço Social e também com os profissionais da área de fisioterapia e psicologia), Creche João Paulo II, Equipe de Festa e também com entidades da cidade. Em todo esse período de trabalho a nossa pastoral sempre contou com a generosidade e solidariedade de todas as pessoas, e com espírito de amor ao próximo é que pretendemos continuar o nosso trabalho.
DIRETRIZES
Normas da Pastoral Social Cartilhas de Pastoral Social nº 01 - O QUE É PASTORAL SOCIAL ? INDICE Apresentação Introdução Capítulo 01 – O que é a dimensão sócio-transformadora da CNBB? Capítulo 02 – O que é a Pastoral Social? Capítulo 03 – Qual o Objetivo Geral da Pastoral Social? Capítulo 04 – Como se estrutura a Pastoral Social? Capítulo 05 – Como surgem as Pastorais Sociais? Capítulo 06 – Como organizar a Pastoral Social? Capítulo 07 – Como se integram entre si as Pastorais Sociais? Capítulo 08 – Quais os fundamentos e fontes de espiritualidade da Pastoral Social?. Capítulo 09 – Quais as principais atividades da Pastoral Social? Capítulo 10 – Quais as lições da década de 1990? Capítulo 11 – Quais as perspectivas para os próximos anos? Conclusão. APRESENTAÇÃO A cartilha - O QUE É PASTORAL SOCIAL? – constitui o resultado de uma reflexão que visa aprofundar os rumos da Pastoral Social na dimensão sócio-transformadora, linha 6, da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Trata-se de um fruto que amadureceu lentamente, trabalho de muitas mãos e muitas cabeças. Publicada pelo Setor Pastoral Social da CNBB, ela contou, direta ou indiretamente, com os esforços de outras pastorais e dimensões da CNBB, das demais Igrejas do CONIC, como também de numerosas entidades e movimentos da sociedade civil. Tal soma de esforços, durante a década de 90, por exemplo, tornou possível a realização das Semanas Sociais Brasileiras, do Grito dos Excluídos, da Campanha Jubileu Sul em torno da Dívida Externa, a qual conduziu ao Simpósio, ao Tribunal e ao Plebiscito (cfr. Capítulo 9). Podemos dizer que o I Encontro Nacional da Pastoral Social, realizado na cidade de São Paulo em outubro de 2000, representou um ponto de partida e um ponto de chegada da reflexão que acompanha estas páginas. A cartilha está organizada da seguinte forma: nos primeiros capítulos procuramos traçar alguns elementos da realidade brasileira (c.1), responder à pergunta do título (c.2 e 3), esclarecer como surge e qual o rosto de cada pastoral e organismo (c.4 e 5), indicar sugestões de como começar um trabalho no campo social (c.6) e mostrar a articulação das atividades (c.7). Em seguida, busca-se iluminar a realidade e a prática, aprofundando as bases bíblico-teológicas de uma ação sócio-transformadora (c.8). Por fim, os últimos capítulos apontam atividades, pistas e perspectivas de atuação concreta (c.9 a 12). O subsídio quer ser um instrumento pedagógico destinado às pastorais e organismos do Setor Pastoral Social, bem como às dioceses, paróquias e comunidades que desejam iniciar e/ou fortalecer um trabalho no campo da ação social e política. O objetivo é tornar mais eficaz e incisiva esta ação, iluminada pela Palavra de Deus, pela prática de Jesus Cristo, pela Doutrina Social da Igreja e pela experiência pastoral de nossa caminhada. Com a cartilha, o Setor Pastoral Social pretende fornecer pistas aos que atuam no campo tão vivo e complexo das mudanças sociais e políticas, sem esquecer, entretanto, que o mais importante é a criatividade e a espontaneidade de cada um no seu compromisso cristão. Como instrumento, o material incentiva mas não substitui outros subsídios adaptados a cada região e a cada realidade específica. Dom Jacyr Francisco Braido - Bispo de Santos/SP - Responsável pelo Setor Pastoral Social/CNBB Introdução O objetivo central desta cartilha é responder algumas perguntas sobre as Pastorais Sociais, vinculadas ao Setor Pastoral Social da CNBB. As Pastorais são onze: da terra, operária, da criança, do menor, da saúde, carcerária, do povo da rua, dos pescadores, dos migrantes, da mulher marginalizada e dos nômades. Além delas, o Setor responde também por três organismos: Cáritas Brasileira, Ibrades e Ceris. Mais adiante, no capítulo quatro, apresentamos a estrutura geral deste Setor. A cartilha destina-se especialmente a agentes de pastoral e lideranças que trabalham no campo das transformações sociais e políticas. No caminho das Pastorais Sociais surgem muitas interrogações a respeito da identidade, objetivos e metas de seu trabalho cotidiano. A mesma coisa ocorre no Setor Pastoral Social. As perguntas são muitas, as dúvidas também. Eis algumas. Como garantir um espaço de intercâmbio entre pastorais e organismos? Como ampliar a integração e articulação entre eles? Como combinar a pluralidade das ações específicas com a unidade do Setor? Como começar um trabalho a partir de uma determinada Pastoral Social? E nas dioceses, paróquias e comunidades, como desenvolver a ação social? Nas páginas que seguem, tentamos desenvolver alguns elementos de ordem pastoral que possam trazer algumas luzes. Evidente que o I Encontro Nacional da Pastoral Social, realizado em outubro de 2000, já indicou algumas pistas. Aqui o acento recai sobre os fundamentos de caráter bíblico-pastoral que sustentam a dimensão sócio-transformadora e a ação social da Igreja. Na busca de respostas à pergunta do título, a qual, vale lembrar, permanece sempre aberta a novas contribuições, num processo participativo de mutirão, traçamos aqui uma espécie de marco referencial para quem atua no campo da Pastoral Social. Marco referencial que combina princípios gerais, como por exemplo o compromisso da justiça, com descobertas cotidianas e locais de colocá-los em prática. O texto subdivide-se em 11 capítulos, os quais tentam elucidar aspectos relevantes da Pastoral Social. Procuram dar conta, além disso, de sua inserção no conjunto da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Como pano de fundo, temos a carta apostólica Novo Millennio Ineunte, as Diretrizes Gerais da CNBB, o Plano Bienal, as seis dimensões da ação evangelizadora da Igreja, as quatro exigências evangélicas e o Projeto Ser Igreja no Novo Milênio. 1. O que é a Dimensão Sócio-transformadora da CNBB? Para responder a esta pergunta, podemos começar com dois exemplos. Um tirado do Evangelho, outro de um provérbio chinês. Sobre o primeiro exemplo convido a abrir o Evangelho em Mt 9,35-38, texto que, segundo a Edição Pastoral da Bíblia, constitui um resumo das atividades de Jesus. Diz o texto que Jesus “percorria todas as cidades e aldeias”. No caminho, encontrava as “multidões cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. Diante delas, Jesus sentia “compaixão”. Aqui está o espírito de toda a ação social. Hoje, como no tempo de Jesus, as multidões dos pobres encontram-se “cansadas e abatidas”. Cansadas de tantas promessas não cumpridas, de tanta corrupção e de tanto lutar em vão; abatidas pelo peso da exclusão e da miséria, da fome e da doença, do abandono e do descaso. Hoje, como ontem, a injustiça e a desigualdade social gera milhares de empobrecidos que se tornam excluídos, quando não exterminados. Geram, ainda, desemprego, violência, dependência química, prostituição, racismo e destruição do meio ambiente. Esta situação atinge todo planeta, porém, de forma mais brutal os países subdesenvolvidos. Nesse contexto social, o que significa a compaixão? Palavra composta de outras duas: com-paixão. Estar com na paixão do outro, na cruz do seu sofrimento. Sentir a dor do outro e, juntos, buscar soluções alternativas. Estar com, não significa dar coisas, mas dar-se. Dar o próprio tempo, colocar-se à disposição. Em síntese, significa caminhar junto com aquele que sofre. Assumir sua dor e tentar encontrar saídas para superar os momentos difíceis. Vamos agora ao segundo exemplo. Diz um provérbio chinês que perguntaram a determinada mulher a qual dos filhos ela mais amava. Ela, como mãe, respondeu: ao mais triste até que sorria, ao mais doente até que sare, ao mais distante até que volte, ao mais pequeno até que cresça. Combinando os dois exemplos, podemos dizer que Deus tem nome de Pai e coração de Mãe. O amor de Deus se estende a todos seus filhos e filhas. Todos e todas têm lugar em seu coração misericordioso e compassivo. Mas esse mesmo coração tem uma predileção especial pelos que sofrem. Aqueles que, por circunstâncias várias, encontram-se debilitados e abandonados terão um lugar especial no coração do pai e da mãe. Assim, as multidões “cansadas e abatidas” do Evangelho, como também a “ovelha perdida”, terão preferência no Reino de Deus. “Os últimos serão os primeiros” diz Jesus. Onde a vida encontra-se mais ameaçada, é aí que a presença de Deus adquire significação mais profunda. Pai e Mãe voltam seu rosto, antes de tudo, para aqueles que, pelos motivos mais diversos, se vêm fragilizados e impossibilitados de seguir viagem. Alguns elementos da realidade brasileira. Para desvendar o rosto das “multidões cansadas e abatidas” é necessário buscar a causas da pobreza e da exclusão social. Não pretendemos aqui fazer uma análise exaustiva da situação social, política, econômica e cultural da sociedade brasileira. Apenas queremos alertar para a necessidade de uma leitura atualizada da situação em que vivemos. A ação pastoral se dá a partir de um determinado contexto histórico preciso e localizado no tempo. A ação pastoral, qualquer que seja, exige uma constante análise da realidade social, no sentido de buscar respostas concretas a seus desafios. Temos de caminhar com os pés no chão e os ouvidos atentos aos clamores do povo. Não podemos fechar os olhos e cruzar os braços diante das injustiças e desigualdades. Assim, do ponto de vista metodológico, a prática evangélica começa com uma leitura dos fatos e da conjuntura a partir dos pobres. Trata-se, no fundo, de aplicar o tradicional método VER-JULGAR-AGIR. O texto desta cartilha, embora de forma implícita, segue esse esquema. A título de exemplo, podemos olhar a realidade brasileira num determinado momento histórico. Essa análise, entretanto, deve ser sempre revista e atualizada. “O paradoxo brasileiro: indicadores sociais melhoram, concentração de renda não cai” (Jornal O Globo) “IBGE: década do Real não mudou a desigualdade econômica do país” (J. do Brasil) “País termina anos 90 tão desigual como começou” (Folha de São Paulo) As manchetes acima, de 05 de abril de 2001, espelham a situação sócio-política e econômica do Brasil. Todas comentam uma pesquisa do IBGE, feita entre 1992 e 1999, sobre a Síntese dos Indicadores Sociais relativa aos anos 90. O resultado é evidente: ao mesmo tempo que o crescimento econômico se mantém durante a década, aprofunda-se o abismo entre a minoria mais rica e a maioria mais pobre. O que explica essa contradição? Entre as causas do paradoxo, destacamos alguns fatores fundamentais: A) Efeitos perversos da economia neoliberal globalizada. A disputa cerrada pela produção e pelo mercado mundial, aliada à hegemonia dos Estados Unidos, condenam à exclusão social amplos setores da população, países inteiros e até continentes, como por exemplo, a África. A riqueza aumenta, mas a exclusão social cresce. B) Financeirização da economia. Ao invés de produzir, investe-se cada vez mais no mercado financeiro nacional e internacional. Ao lado disso, grande volume de recursos é desviado da área social para cobrir os compromissos com os credores internacionais, liderados pelo FMI e Banco Mundial. Em conseqüência, as dívidas sociais se aprofundam na proporção direta do endividamento externo. Os ajustes para pagamento dos juros e serviços da dívida sempre sacrificam as políticas públicas. A administração e o próprio orçamento dos países pobres estão subordinados aos mega-investidores. Os governos terminam sendo cúmplices ou reféns da ciranda financeira. Ficam comprometidas, simultaneamente, a soberania da nação e a qualidade de vida do povo. O capital “volátil, virtual ou andorinha” desconhece fronteiras e desconhece, igualmente, as necessidades reais e urgentes das populações empobrecidas. C) Concentração de renda. As riquezas que permanecem no país se acumulam nas mãos de uma elite cada vez mais rica, ligada especialmente ao setor financeiro e agrário. Concentram-se, igualmente, a terra e o poder. Acirra-se a desigualdade entre as camadas, num verdadeiro “apartheid social”. Isso, no Brasil, explica o caráter retrógrado e obtuso dos super ricos. Sabemos que, em termos de distribuição de renda, o país ocupa um dos piores lugares no ranking mundial. D) A corrupção e mau uso dos recursos públicos. Historicamente, o Brasil carrega uma herança que poderia ser chamada de “cultura da corrupção”, a qual permeia grande parte dos poderes da República e de não poucas instituições. Utilizando a intuição histórica de Gilberto Freire, no Brasil não há propriamente direitos adquiridos. Subsistem os privilégios para a Casa Grande e, para a Senzala, favores e chibata. Ocorre que os favores dependem do humor do patrão. E) As novas tecnologias e a precarização do trabalho. Com a revolução da informática, são cada vez mais raros os empregos estáveis. Formas de trabalho precárias e primitivas se multiplicam, tais como trabalho escravo, trabalho infantil, trabalho temporário, trabalho doméstico, trabalho informal, trabalho feminino com remuneração inferior. Aqui também a desigualdade é evidente: de um lado, uma pequena minoria de trabalhadores altamente capacitados e bem pagos, adaptados às exigências das mudanças tecnológicas, de outro, uma imensa maioria relegada ao subemprego ou desemprego. Daí o aumento da mobilidade dos trabalhadores, num vaivém sem fim atrás das parcas migalhas da sobrevivência. F) O êxodo rural em massa. Nas últimas três décadas, aproximadamente 40 milhões de brasileiros trocaram o campo pela cidade. Segundo o censo de 2001, do IBGE, a população urbana hoje é de 81,4%. Evidente que a realidade urbana traz desafios novos à pastoral, os quais requerem mudanças profundas. Esta nova mentalidade questiona, por exemplo, a linguagem, a metodologia e a eclesiologia da Igreja. Além da urbanização acelerada, o censo aponta os lugares onde a população mais cresce: áreas litorâneas, cidades médias do interior, a zona urbana da região norte do país e o entorno do Distrito Federal. Esse novo rosto da geografia humana, onde a mobilidade humana é cada vez mais acentuada, exige também ele novas respostas evangélicas. Combinados, os fatores acima imprimem sobre a sociedade brasileira uma marca de exclusão social crescente. As conseqüências são visíveis a olho nu: precariedade ou inexistência dos serviços e das políticas públicas, desemprego em massa, déficit habitacional, falta de uma reforma agrária e agrícola e conseqüente êxodo rural, violência generalizada no campo e na cidade. Esta é hoje a cara do país real. Semelhante cenário - agravamento da pobreza e da miséria por um lado, e corrupção por outro - “corrói as bases da democracia, gera um clima de instabilidade política e aumenta a insegurança”, como lembra a nota da Presidência e CEP da CNBB, março/2001. Vale sublinhar uma constatação da análise de conjuntura da mesma reunião da Presidência e CEP: “uma das faces mais sórdidas da violência é o aumento de pessoas vivendo nas ruas, nos lixões e debaixo de pontes e viadutos. Entre eles, cresce o percentual de mulheres, de jovens e crianças e de famílias inteiras”. Valem, ainda, as palavras de João Paulo II na carta apostólica Novo Millennio Ineunte, as quais se aplicam tão bem ao Brasil: “O nosso mundo começa o novo milênio carregado com as contradições de um crescimento econômico, cultural e tecnológico que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milhões e milhões de pessoas não só à margem do progresso, mas a braços com condições de vida muito inferiores ao mínimo que é devido à dignidade humana”. E o Papa – como todos nós – se pergunta: “como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem, morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde se abrigar?” (NMI, nº 50). 2. O que é a Pastoral Social? Convém precisar, de início, o sentido das seguintes expressões que iremos utilizar daqui para a frente: Pastoral Social, Pastorais Sociais e Setor Pastoral Social. Embora correlatas, elas têm significados distintos. Entendemos por Pastoral Social, no singular, a solicitude de toda a Igreja para com as questões sociais. Trata-se de uma sensibilidade que deve estar presente em cada diocese, paróquia comunidade; em cada dimensão, setor e pastoral; na catequese, na liturgia e nas iniciativas ecumênicas; enfim, deve estar presente nas comunidades eclesiais de base, nos movimentos... Em outras palavras, deve ser preocupação inerente a toda ação evangelizadora. Pastorais Sociais, no plural, são serviços específicos a categorias de pessoas e/ou situações também específicas da realidade social. Constituem ações voltadas concretamente para os diferentes grupos ou diferentes facetas da exclusão social, tais como, por exemplo, a realidade do campo, da rua, do mundo do trabalho, da mobilidade humana, e assim por diante. O Setor Pastoral Social, por sua vez, integrado na dimensão sócio-transformadora, linha 6 da CNBB, tem duplo caráter: por um lado, representa uma referência para toda a ação social da Igreja, em termos de assessoria, elaboração de subsídios e reflexão teórica. Por outro lado, é um espaço de articulação das Pastorais Sociais e Organismos que desenvolvem ações específicas no campo sócio-político. Dentro da dimensão sócio-transformadora, é função da Pastoral Social procurar respostas para esse tipo de situação. Isto significa que as respostas não estão prontas. Não há receitas acabadas. Em cada momento e em cada local, é preciso iniciar um processo em que o maior número de pessoas se envolvam na busca de soluções concretas. A partir da conscientização, da organização e da mobilização, abrem-se caminhos alternativos. O importante é chamar a atenção da Igreja e da sociedade para esse quadro de injustiças cada vez mais grave. Importante também, como veremos adiante, envolver o maior número de atores sociais e de parceiros na luta pela transformação social. A Pastoral Social tem como finalidade concretizar em ações sociais e específicas a solicitude da Igreja diante de situações reais de marginalização. Logo mais, no capítulo 6, apresentamos algumas indicações práticas de como organizar a ação social na Igreja: dioceses, paróquias e comunidades. No momento, queremos alertar para a tarefa de identificar, entre os filhos e filhas de Deus, os rostos mais sofridos, com vistas a dedicar-lhes uma solicitude pastoral específica. Os textos bíblicos destacam em suas páginas alguns rostos que têm a predileção do amor de Deus. No Antigo Testamento sobressaem “o órfão, a viúva e o estrangeiro”. No livro do Êxodo, Deus “vê, ouve e sente” o clamor dos oprimidos escravizados no Egito (Ex 3,7-10). Os profetas não se cansam de chamar a atenção sobre o direito e a justiça para com os pobres. Nos Evangelhos, novos rostos desfilam diante de nós. Freqüentes vezes Jesus enumera uma lista em que descreve aqueles que se encontram mais perto do carinho do Pai. Exemplos: o texto do juízo final, em Mt 25, 31ss; as bem-aventuranças, em Mt 5, 1-12; o programa de Jesus, em Lc 4,16-20 o episódio do Bom Samaritano, em Lc 10,25-35. Por outro lado, os doentes, as mulheres marginalizadas, os pequenos e fracos, as crianças, enfim, uma multidão de gente ferida disputa espaço aos pés do Mestre. Os Atos dos Apóstolos, as Cartas e o Apocalipse revelam igualmente a atenção das primeiras comunidades para com os pobres. Desde cedo, os cristãos se organizam para suprir as necessidades básicas de seus irmãos. Como mostra São Pedro em sua primeira carta, as comunidades eram “uma casa para quem não tinha lar”. Uma rápida olhada pelos escritos dos Santos Padres dos primeiros séculos da era cristã e pelos documentos da Doutrina Social da Igreja nos revelará, por sua vez, uma preocupação constante com os setores mais pobres da sociedade. A título de exemplo, no capítulo 8 retomaremos o documento de Puebla, em que os bispos enumeram uma série de feições marcadas pelo sofrimento de séculos. Rostos caros à Pastoral Social no seu conjunto. São rostos anônimos, os quais, em função do trabalho pastoral, vão recuperando o nome e a história na medida em que são assumidos com amor, pois o amor, diante de um ser humano à margem da vida, é capaz de fazer alguém capaz também de amar e viver! Neste sentido, a Pastoral social procura integrar em suas atividades a fé e o compromisso social, a oração e a ação, a religião e a prática do dia a dia, a ética e a política. Aqui é preciso superar as dicotomias entre “os que só rezam” e “os que só lutam”, “os que louvam e celebram” e “os que fazem política”. Na verdade, a verdadeira fé desdobra-se naturalmente em compromisso diante dos pobres. A ação social é condição indispensável da vivência cristã. O compromisso sócio-políttico não é um apêndice da fé. Ao contrário, faz parte inerente de suas exigências. A fé cristã tem, necessariamente, uma dimensão social. Não é isso o que nos ensina o episódio do Bom Samaritano? Ou seja, entrar ou não entrar na vida eterna é uma alternativa que está condicionada à atitude frente ao irmão caído e ferido na beira da estrada. Tal condição se torna ainda mais clara no texto do Juízo Final: “Vinde benditos de meu Pai, porque estava com fome e me deste de comer...”. Evidente que a Pastoral Social não tem o monopólio da transformação social e da busca de alternativas. Outras pastorais e dimensões da Igreja também trabalham na mesma direção. Mas, no caso da Pastoral Social, essa é sua missão específica, intransferível. É a razão de sua existência. Constitui sua identidade. Vale sublinhar, ainda, que sequer a Igreja detém semelhante monopólio. Outras Igrejas, cristãs ou não, preocupam-se pela transformação das estruturas injustas da sociedade. O mesmo se pode dizer de inúmeras e variadas instituições civis, entidades, movimentos sociais, organizações de base, associações, pessoas, enfim, milhares de iniciativas em curso. O Reino de Deus, como sabemos, ultrapassa as fronteiras da Igreja e exige fé e pé na caminhada. Em correspondência com as quatro exigências evangélicas da ação da Igreja no Brasil, quatro palavras chaves poderiam resumir o Objetivo Geral da Pastoral Social. Trata-se de proclamar a Boa Nova do Evangelho entre os mais pobres, através de uma presença, de um alerta, de uma ação social e de uma articulação-parceria. Na contramão das estruturas sociais injustas, o povo se mobiliza. Movimentos sociais, pastorais, organizações de base, entidades, ONG’s, associações populares são, entre outros, protagonistas de um novo tempo. Diferentes atores que procuram, em parceria, abrir caminhos alternativos para o país. Contribuem também com a construção conjunta de uma nova ordem mundial, alicerçada em fundamentos éticos. É a luta dos peixes na piracema, lutando contra a corrente. Somente serão capazes de gerar vida nova se forem capazes de navegar rio acima. Caso contrário, a corrente os arrastará para o oceano como corpos inertes e estéreis. O trabalho pastoral junto aos pobres e excluídos requer uma verdadeira espiritualidade de piracema. Veremos isso em detalhe no capítulo 8. 3. Qual o Objetivo Geral da Pastoral Social? A Pastoral Social integra, junto com outros setores, a dimensão sócio-transformadora da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. A partir da expressão acima, entende-se que o Objetivo Geral dessa dimensão seja “contribuir, à luz da Palavra de Deus e da Diretrizes Gerais da CNBB, para a transformação dos corações e das estruturas da sociedade em que vivemos, em vista da construção de uma nova sociedade, o Reino de Deus”. A Pastoral Social, por sua vez, tem como objetivo desenvolver atividades concretas que viabilizem essa transformação em situações específicas, tais como o mundo do trabalho, a realidade das ruas, o campo da mobilidade humana, os presídios, as situações de marginalização da mulher, dos trabalhadores rurais, dos pescadores, e assim por diante. Parte-se do pressuposto de que nossa sociedade assenta-se sobre estruturas injustas e pecaminosas, como nos alertam os documentos do episcopado latino-americano nas assembléias de Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992), referindo-se à violência institucionalizada e a outras expressões de igual teor. Daí a necessidade de trabalhar por sua transformação e, por outro lado, buscar alternativas na construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna. Neste sentido, a Pastoral social procura integrar em suas atividades a fé e o compromisso social, a oração e a ação, a religião e a prática do dia a dia, a ética e a política. Aqui é preciso superar as dicotomias entre “os que só rezam” e “os que só lutam”, “os que louvam e celebram” e “os que fazem política”. Na verdade, a verdadeira fé desdobra-se naturalmente em compromisso diante dos pobres. A ação social é condição indispensável da vivência cristã. O compromisso sócio-políttico não é um apêndice da fé. Ao contrário, faz parte inerente de suas exigências. A fé cristã tem, necessariamente, uma dimensão social. Não é isso o que nos ensina o episódio do Bom Samaritano? Ou seja, entrar ou não entrar na vida eterna é uma alternativa que está condicionada à atitude frente ao irmão caído e ferido na beira da estrada. Tal condição se torna ainda mais clara no texto do Juízo Final: “Vinde benditos de meu Pai, porque estava com fome e me deste de comer...”. Evidente que a Pastoral Social não tem o monopólio da transformação social e da busca de alternativas. Outras pastorais e dimensões da Igreja também trabalham na mesma direção. Mas, no caso da Pastoral Social, essa é sua missão específica, intransferível. É a razão de sua existência. Constitui sua identidade. Vale sublinhar, ainda, que sequer a Igreja detém semelhante monopólio. Outras Igrejas, cristãs ou não, preocupam-se pela transformação das estruturas injustas da sociedade. O mesmo se pode dizer de inúmeras e variadas instituições civis, entidades, movimentos sociais, organizações de base, associações, pessoas, enfim, milhares de iniciativas em curso. O Reino de Deus, como sabemos, ultrapassa as fronteiras da Igreja e exige fé e pé na caminhada. Em correspondência com as quatro exigências evangélicas da ação da Igreja no Brasil, quatro palavras chaves poderiam resumir o Objetivo Geral da Pastoral Social. Trata-se de proclamar a Boa Nova do Evangelho entre os mais pobres, através de uma presença, de um alerta, de uma ação social e de uma articulação-parceria. A) Uma presença (testemunho) junto aos setores mais marginalizados da população, aos porões da sociedade, aos “infernos” do sofrimento humano; B) Um alerta (denúncia e anúncio) à Igreja e à sociedade civil sobre a existência desses submundos, alerta que é uma espécie de antena permanentemente sintonizada com o clamor dos oprimidos; C) Uma ação social (serviço) que multiplica atividades de conscientização, organização e transformação, as quais levam à conversão pessoal, por um lado, e a mudanças concretas de ordem social, econômica e política, por outro; D) Uma articulação-parceria (diálogo) com as demais igrejas, cristãs e não cristãs, e com as forças vivas que contribuem para transformar a sociedade em que vivemos. Nos capítulos 9 e 10, veremos, mais concretamente, como tais objetivos se concretizaram na última década e que lições trouxeram para o conjunto das Pastorais Sociais. Agora, é interessante localizar o Setor Pastoral Social no organograma da CNBB. 4. Como se estrutura a Pastoral Social? Esta pergunta nos leva à estrutura de toda a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Sabemos que essa ação, segundo o organograma da CNBB, subdivide-se em seis dimensões e quadro exigências evangélicas. As dimensões são: primeira, comunitária e participativa; segunda, missionária; terceira, bíblico-catequética; quarta, litúrgica; quinta, ecumênica e de diálogo religioso; e sexta, sócio-transformadora. E as exigências: anúncio, testemunho, diálogo e serviço. Evidente que toda evangelização deve ser perpassada por todas as dimensões e exigências. A dimensão ou a exigência representa a porta de entrada para os setores específicos, o enfoque a partir do qual desenvolvem sua ação concreta. Mas tanto as dimensões como as exigências se interpenetram, se complementam e se enriquecem reciprocamente. O Setor Pastoral Social integra a dimensão sócio-transformadora, a chamada linha 6, e tem no serviço sua exigência predominante. Claro que esta dimensão e exigência se interligam entre si, ao mesmo tempo que se complementam com as demais dimensões e exigências. A palavra dimensão, pelo seu dinamismo, dá conta dessa complementariedade. Quanto às exigências, as quatro se interpenetram e se misturam na ação evangelizadora, sendo difícil individualizá-las. A rigor, qualquer ação deve incluir todas as exigências e dimensões, mas conferir relevância a alguma delas. A dimensão sócio-transformadora, por sua vez, é formada pelos seguintes setores: Pastoral Social, Educação, Comunicação Social, Ensino Religioso, Pastoral Universitária, Pastoral da Cultura e Pastoral Afro-brasileira O Setor Pastoral Social reúne sob sua articulação onze pastorais e três organismos. As Pastorais Sociais são as seguintes: PASTORAL OPERÁRIA As mudanças no mundo atual atingem dramaticamente aos trabalhadores e trabalhadoras, cada vez mais excluídos e excluídos do mundo do trabalho e dos bens socialmente produzidos. A Pastoral Operária participa e contribui neste campo a partir da exigência de sua Fé Cristã. É esta Fé que irá influir na sua forma de abordagem, na sua postura e na sua metodologia dentro do mundo do trabalho, no qual se situa sua identidade e sua mística. É uma pastoral com um olhar e um agir que contribui para a construção de um projeto alternativo de sociedade, o qual será obra das trabalhadoras e trabalhadores, onde ela cumpre a missão Evangélica de ser sal e fermento. Para isto, a PO estimula os trabalhadores e trabalhadoras, dentro e fora da Igreja, a participarem no movimento social e nas mais variadas e legítimas formas de organização. Neste momento, seu compromisso impõe a necessidade de contribuir para a existência de um amplo movimento dos trabalhadores e trabalhadoras e do conjunto da sociedade frente às mudanças no mundo do trabalho, contra o desemprego e pelo emprego como política social, chamando à responsabilidade os setores empresariais e governamentais. Este é o eixo em torno do qual devem girar os programas, projetos e atividades das equipes e instâncias da PO em todo o Brasil, delimitando setores específicos a serem trabalhados de acordo com a região, a qualificação dos e das militantes e os recursos disponíveis. Para realizar este eixo é preciso articular as ações concretas, imediatas, localizadas com a mobilização, organização e compromisso daqueles que se envolvem nestas ações. A PO quer contribuir de forma efetiva para a construção de uma sociedade justa, democrática, ética e plural, onde homens e mulheres sejam protagonistas. Isso implica em considerar todas as dimensões da vida humana, e os sujeitos como portadores de interesses, desejos e emoções, que estão em permanente processo de construção e reconstrução, a partir das condições objetivas socialmente estabelecidas. A PO se assume enquanto Igreja Católica. Mantém seu vínculo de comunhão e sua justa autonomia frente às demais pastorais e frente à hierarquia. Assume a missão de levar para dentro da Igreja a preocupação e o compromisso com o mundo do trabalho. Sua atuação no interior da Igreja se caracteriza pela presença nos espaços a partir de processos dinâmicos e não simplesmente pela justeza de sua proposta. Por outro lado, a PO deseja atuar com outras igrejas cristãs priorizando o “ecumenismo de base". Procura mesmo colocar-se em diálogo com outras religiões e culturas em defesa da vida e da dignidade do trabalho. PASTORAL DO POVO DE RUA A Pastoral de Rua desenvolve sua missão sendo presença junto à população de rua, reconhecendo sua dignidade e descobrindo os sinais de Deus presente em sua história. O cenário encontrado nas ruas das cidades permite encontrar um povo que luta e resiste para sobreviver. Escondidos ora em marquises e viadutos, ora em casas e prédios desocupados, os moradores de rua sofrem o estigma da exclusão social. Igual sorte cabe aos catadores de papel, que puxando pesados carrinhos andam nas ruas e lixões das cidades coletando materiais recicláveis para revender no mercado. Sem reconhecimento oficial estes homens e mulheres são contabilizados no Censo do IBGE e via de regra os poderes públicos optam pela reedição de medidas excludentes. Nas ruas sofrem as conseqüências das operações limpeza planejadas nos municípios, nos lixões trabalham sem as mínimas condições de higiene e salubridade. Para todos, é comum o preconceito social que estigmatizam suas vidas. A partir da escuta da vida que lateja entre as ruas e lixões das cidades, os agentes da pastoral buscam facilitar o processo de transformação da realidade dos moradores de rua e dos catadores de papel e garantir processos que conduzam ao exercício da cidadania. O compromisso solidário tecido nesta nova relação criada desenvolve ações que se pautam no reconhecimento dos direitos dessa população e na defesa da vida. Os agentes atuam animando e fortalecendo o processo organizativo, resgatando a beleza da vida, denunciando toda ação de exclusão e violência e criando com os mesmos alternativas de produção de bens e cidadania. Várias e diferentes ações se desenvolvem junto ao povo da rua. O denominador comum no desenvolvimento do trabalho junto aos catadores de papel é a organização de associações e cooperativas que evidenciam o impacto nas dimensões sócio-econômicas e ambientais. A população de rua se organiza no enfrentamento da violação do cumprimento dos direitos sociais básicos, buscando alternativas e defesa principalmente no que diz respeito ao direito de morar e trabalhar. CONSELHO PASTORAL DOS PESCADORES O Conselho Pastoral dos Pescadores é um serviço pastoral da Igreja à categoria dos pescadores e pescadoras artesanais no Brasil. Desde os anos 70 trabalhavam agentes de pastoral nas praias do Nordeste e mais tarde no Norte e no Sul, nas praias como nas águas interiores, junto com esta categoria esquecida e marginalizada. O CPP quer ser presença de gratuidade evangélica no meio dos pescadores, cultivando assim as sementes do reino que existem no meio deles. Movido pela força libertadora do Evangelho, o CPP quer colaborar com os pescadores nos justos anseios de suas vidas, respeitando sua cultura, estimulando suas organizações, tendo em vista a libertação integral e a construção de uma nova sociedade. É também tarefa deste Conselho animar, formar e articular fraternalmente os que trabalham a serviço dos pescadores nesta pastoral. Atualmente são linhas prioritárias de ação do CPP: a questão do Meio Ambiente, a conquista dos Direitos Sociais e o tema da Geração de Renda. A presença dos agentes do CPP nas comunidades pesqueiras, nas praias, nas suas casas, nas suas festas e celebrações, nas suas reivindicações, etc. tem sido e continua sendo o fundamento de todo o trabalho do Conselho Pastoral dos pescadores. PASTORAL DOS NÔMADES Desenvolve a promoção humana e cristã, visando à evangelização integral e inculturada dos grupos nômades: ciganos, circenses e parquistas, promovendo o diálogo e a inserção entre sedentários e nômades. A busca da encarnação evangélica num contato direto com o ambiente nômade, evita qualquer forma de paternalismo e de dominação cultural. Tem como objetivo principal ser presença da Igreja junto aos nômades, rezando com eles e por eles, celebrando os seus momentos mais valorizados: o nascimento, o batizado, o casamento e a morte, pois, apesar de sofrerem preconceitos e marginalização, cultivam a fé e a alegria, muito bem demonstradas pela sua hospitalidade e pelo seu modo de viver. Segundo os nômades, “os homens nos rejeitam, a sociedade não nos acolhe, mas Deus é bom, nos ampara”. Vivendo numa pequena barraca, “de acampamento em acampamento” (Gen 12,9), numa atmosfera bastante eremítica, caminhando na ponta dos pés para não destruir as boas sementes de bonitos valores que o Verbo já esparziu ali, e assumindo uma consciência cada vez mais profunda da espiritualidade do “servo inútil” (Lc 17,10), cada agente a seu modo procura se conformar com a mensagem Daquele que “não tinha onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20), colocando-se no picadeiro da vida como um grande malabarista, exibindo no trapézio de uma vivência religiosa seu triplo salto mortal pela fé, esperança e caridade. Como atividades da Pastoral destacamos: estudo, pesquisa e publicações sobre a realidade e cultura dos nômades; alfabetização (90% são analfabetos por falta de uma escola itinerante); ensinamento de algum artesanato; informação à comunidade sedentária sobre sua vida e sua cultura, mostrando os valores positivos que cultivam em sua história milenar. PASTORAL DA MULHER MARGINALIZADA A Pastoral da Mulher Marginalizada – PMM, tem a missão profética e evangélica de contribuir e abrir espaço para que a mulher prostituída possa ser agente da sua libertação, possa articular-se com outros grupos de oprimidas (os) e outras pastorais. A PMM busca despertar nas suas equipes em todo o país, o desejo de trabalhar com as mulheres prostituídas no sentido delas serem mais um segmento da sociedade em busca de transformação, nas questões políticas, econômicas e nas relações entre homens e mulheres. Tem determinado tempo e energia com a formação dos (as) agentes, através de aprofundamento da mística, cursos, oficinas, preparação de material formativo e informativo, buscando alianças, participando de eventos, promovendo encontros de agentes e de mulheres prostituídas, contribuindo na implantação e implementação de políticas públicas, denunciando a violência que sofrem essas mulheres, colaborando na inserção das mulheres nos movimentos populares e sociais. Também acreditamos na presença gratuita solidária, estar lá para confortá-las, abraçá-las e ouvi-las é muito importante, é uma população especial, que via de regra, nunca são confortadas, abraçadas e escutadas. Os membros da PMM na sua prática se deparam com uma população totalmente desinformada a respeito dos seus direitos sociais. Por isso se faz necessário que, os agentes da PMM tenham também a socialização da informação como uma das condições de uma prática que contribua na construção de uma sociedade democrática, tendo como base a igualdade econômica, política e social. PASTORAL DA CRIANÇA Em setembro de 1983, a Pastoral da Criança iniciava suas atividades no município de Florestópolis/PR, desenvolvendo uma metodologia própria que une a fé e vida, tendo como centro a criança em seu contexto familiar e comunitário. A missão da Pastoral da Criança é a própria missão de Jesus, que é também a missão da Igreja e de todos os cristãos, EVANGELIZAR. A Pastoral da Criança é ecumênica e não faz nenhum tipo de discriminação de cor, raça, credo religioso ou opção política. A todos leva o lema do Bom Pastor: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). A Pastoral da Criança usa uma metodologia que conta com três grandes momentos de intercâmbio de informações que ajudam no fortalecimento da solidariedade: 1º Visitas domiciliares mensais, realizadas pelos líderes a cada família acompanhada; 2º Dia do Peso, quando cada comunidade se reúne para pesar as suas crianças; esse dia se transforma no momento de celebração da vida; 3º Reuniões com todos os líderes de uma mesma comunidade para refletir e avaliar o trabalho realizado no mês anterior. A prática da Pastoral da Criança parte da idéia de que a solução dos problemas sociais necessita da solidariedade humana, organizada e animada em rede, com objetivos definidos, e que o principal agente de transformação são as lideranças das comunidades pobres e miseráveis, especialmente a mulher, que transforma a sua família e a comunidade. Por isso, mais de 90% dos agentes na Pastoral da Criança são mulheres. A experiência demonstra que a solução dos problemas sociais depende da transformação do tecido social e de políticas públicas voltadas para os mais necessitados. É uma tarefa que deve ser compartilhada entre governo, empresários e sociedade civil. Por isso, as parcerias entre eles são de fundamental importância na busca da realização de um trabalho eficaz que realmente chegue às famílias e comunidades, envolvendo-as no protagonismo de sua própria transformação social. Fazendo a união entre a fé e o compromisso social, a Pastoral da Criança organiza as comunidades em torno de um trabalho de promoção humana no combate à mortalidade infantil, à desnutrição e à marginalidade social. A Pastoral da Criança atua eficazmente na educação para uma cultura de paz e na melhoria da qualidade de vida de mais de um milhão de famílias acompanhadas. O trabalho essencial é a organização da comunidade e a capacitação dos líderes voluntários que ali vivem e assumem a tarefa de orientar e acompanhar as famílias vizinhas, para que elas se tornem sujeitos de sua própria transformação pessoal e social. A base de todo o trabalho da Pastoral da Criança são a comunidade e a família. A dinâmica consiste em capacitar líderes comunitários, que residem na própria comunidade, para mobilização das famílias nos cuidados com os filhos. Em todas as comunidades atendidas, coloca-se em prática um conjunto de ações que vão daquelas voltadas para a sobrevivência e desenvolvimento integral da criança até a melhoria da qualidade de vida das famílias carentes, tanto no plano físico e material como no espiritual. Desta maneira, procura gerar igualdade de oportunidades, justiça e paz. Entre essas ações destacam-se as Ações Básicas de Saúde, Educação, Nutrição e Cidadania. PASTORAL DO MENOR A Pastoral do Menor tem seus inícios no ano de 1977, na Arquidiocese de São Paulo. Ela surge num quadro de intuições proféticas que se apresentavam como respostas da Igreja aos desafios das crianças e adolescentes empobrecidos e em situação de risco. A Pastoral aparece também como busca de organização dessas ações. Em 1987, com a Campanha da Fraternidade, que se baseou no lema “Quem acolhe o menor a mim acolhe”, a Igreja dá um novo impulso a esta questão e passa a exercer o serviço de forma mais comprometida. A Pastoral do Menor é um serviço da Igreja com mística e identidade próprias que, à luz do Evangelho, se propõe a estimular um processo que visa a sensibilização, a conscientização crítica, a organização e a mobilização da sociedade como um todo na busca de uma resposta transformadora, global, unitária e integrada à situação da criança e adolescente. Tem como objetivo,em seus programas de atendimento, promover a participação dos pequenos como protagonista do processo de promoção da cidadania. A atuação da Pastoral do Menor passa pelos Conselhos de Direitos, Tutelares, na luta por políticas públicas eficientes, com programas de abrigo, Centros Educacionais Comunitários, junto aos adolescentes em conflito com a lei, aos meninos e meninas que se encontram em situação de rua, na aprendizagem profissional, voltando-se, sempre para a orientação e apoio sócio familiar. PASTORAL DA SAÚDE A Pastoral da Saúde é a ação evangelizadora de todo o povo de Deus comprometido em promover, preservar, defender, cuidar e celebrar a vida, tornando presente no mundo de hoje a ação libertadora de Cristo na área da Saúde, nas seguintes dimensões: 1- Solidária: vivência e presença samaritana junto aos doentes e sofredores no hospital, domicílio e comunidade (portadores do vírus HIV, Aids, deficientes, drogados, alcoolizados, etc). Visa atender a pessoa na globalidade. 2- Comunitária: visa a promoção e educação para a saúde. Relaciona-se com saúde pública e saneamento básico, atuando na prevenção das doenças. Procura valorizar o conhecimento, sabedoria e religiosidade popular em relação à saúde. 3- Político-institucional: atua junto aos órgãos e instituições, públicas e privadas que prestam serviço e formam profissionais na área de saúde. Zela para que haja formação ética e uma política de saúde sadia. OBJETIVO GERAL Evangelizar com renovado ardor missionário o mundo da saúde, à luz da opção preferencial pelos pobres e enfermos, participando da construção de uma sociedade justa e solidária a serviço da vida. SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES O Serviço Pastoral dos Migrantes é uma pastoral social ligada ao Setor Pastoral Social da CNBB, criado como entidade em 1985. Tem como objetivo “suscitar, articular e dinamizar a organização coletiva dos migrantes, à luz da evangelização inculturada, que os leve a ser protagonistas da história, na construção de uma sociedade justa e solidária, numa atitude de acolhida às diferenças, sinal do Reino de Deus.” Dentre os principais desafios que o Serviço Pastoral dos Migrantes tem pela frente, destacam-se: - manter viva a esperança dos migrantes, apesar da difícil situação que enfrentam; suscitar a pastoral dos migrantes nas dioceses e paróquias onde ela não existe; despertar a igreja para a problemática das migrações; sensibilizar a sociedade sobre o fenômeno migratório e trabalhar de forma cada vez mais articulada com as demais pastorais sociais, movimentos populares e entidades que lutam pela construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna. Como perspectiva incentiva a participação dos migrantes nas reflexões e na construção de um projeto popular para o Brasil, onde todos tenham a dignidade humana respeitada e vida em abundância. O SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes está organizado em 17 estados do Brasil e trabalha com as seguintes categorias de migrantes: temporários ou sazonais; migrantes urbanos e com imigrantes, principalmente peruanos, bolivianos, paraguaios, chilenos e italianos. COMISSÃO PASTORAL DA TERRA A CPT- Comissão Pastoral da Terra - tem como objetivo de sua ação ser uma presença solidária, profética, ecumênica, fraterna e afetiva, que presta um serviço educativo e transformador junto aos povos da terra para estimular e reforçar seu protagonismo em suas lutas pela reforma agrária e agrícola e sempre na vontade de ser “fiel ao Deus dos pobres, à terra de Deus e aos pobres da terra” engajando-se na construção do Projeto Popular para o Brasil, sinal estratégico e libertador desta hora. Por isso a CPT Apóia a retomada da terra por parte dos povos indígenas e comunidades negras e as ocupações dos sem terra e a resistência dos posseiros e extrativistas. ?Contesta o latifúndio, seja produtivo ou improdutivo, por ser sempre concentrador e excludente. ?Apóia a busca, captação e acesso à água, principalmente para as populações do semi-árido nordestino e a luta pela preservação dos rios e lagos das populações ribeirinhas. ?Reivindica o direito ao trabalho e à sua dignidade, contra o desemprego, a precarização das condições de trabalho, o trabalho escravo e o infantil. ?Participa ativa e organizadamente da indignação nacional contra todas as formas de Violência e impunidade e da construção de uma Justiça a serviço do povo. O trabalho da CPT é um trabalho de base que busca priorizar a convivência fraterna com o Povo, a formação integral dos trabalhadores e trabalhadoras e agentes e a memória dos mártires da terra. PASTORAL CARCERÁRIA A Pastoral Carcerária é a presença de Cristo e de sua Igreja no mundo dos cárceres e desenvolve todos os trabalhos que essa presença vem a exigir. A Pastoral mantém contatos e relações de trabalho e parceria com organismo do poder executivo e do poder legislativo, com ONG’s locais, nacionais e internacionais; com a OEA (Organização dos Estados Americanos); com a Anistia Internacional; com o MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos); com o CDH da ONU (Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas); com ICCPC (Pastoral Carcerária Internacional) e outras entidades afins. Objetivos gerais: ?Acompanhar os presos em todas as circunstâncias e atender suas necessidades pessoais e familiares; Verificar as condições de vida e sobrevivência dos presos; Priorizar a defesa intransigente da vida, bem como a integridade física e moral dos presos; ?Estar atenta e encaminhar as denúncias de torturas, maus-tratos, corrupção, etc, praticados contra os presos; ?Intermediar relações entre presos e familiares; Atividades permanentes: ?Visitas aos presos, especialmente quando doentes, nas enfermarias ou nas celas de castigo ou de “seguro”; ?Celebrações e encontros de reflexões (eucaristia, círculos bíblicos, novenas, CF’s...); ?Atenção especial as áreas de extrema violência nas prisões; ?Sensibilização das comunidades sobre os problemas dos presos e o valor da Pastoral Carcerária; ?Parceria e relacionamento de trabalho com os poderes públicos e com o Ministério Público. Os organismos são três: IBRADES (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social) O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento unindo esforços a outras iniciativas, busca contribuir com a formação de uma sociedade solidária, participativa e pluralista, pela construção da cidadania e da ética, a serviço da democracia e do meio ambiente preservado para todos; ajudar a Igreja, pela leitura crítica da realidade, a estar atenta às transformações sócio-econômico-culturais e lutar pela universalização dos direitos, no espírito da proposta anual da Campanha da Fraternidade. Propõe-se assumir o compromisso social da Igreja, utilizando como meio a formação social, política e cristã para a cidadania através de um curso longo anual e em tempo integral, no mês de julho e de cursos breves nas diversas regiões do país; pelo estudo e difusão do Ensino Social da Igreja; na ação e promoção social, com grupos e movimentos, ONGs e comunidades; na elaboração, por si ou em parceria, de subsídios e publicações e na participação em seminários e encontros de diversas naturezas. CÁRITAS BRASILEIRA Expressão de origem latina, caritas significa caridade. E é em nome da caridade libertadora que a Cáritas Brasileira vêm desenvolvendo suas ações. Criada em 12 de novembro de 1956, a Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Sua missão é promover e animar o serviço da solidariedade ecumênica libertadora, participar da defesa da vida, da organização popular e da construção de um projeto de sociedade a partir dos excluídos e excluídas, contribuindo para a conquista da cidadania plena para todas as pessoas, a caminho do Reino de Deus. Atua com abertura ecumênica, estabelecendo parcerias com organismos nacionais e internacionais pelo resgate dos direitos humanos, fazendo parte, também, da rede Caritas Internationalis, com sede em Roma. Além disso, conta com nove Regionais, constituídos por equipes que atuam junto a entidades-membros, que são as Cáritas Diocesanas, e outras parcerias. As ações da Cáritas Brasileira são norteadas por sete linhas prioritárias: Construção e conquista de relações democráticas e de políticas públicas Fortalecimento da Organização Cáritas Formação de agentes para a prática da solidariedade Valorização e promoção da economia popular solidária Atuação em áreas de emergência naturais e sociais Desenvolvimento da cultura da solidariedade Convivência com o semi-árido CERIS (Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais) O Ceris tem como objetivo contribuir para que os setores mais pobres e excluídos da sociedade obtenham melhoria de suas condições de vida, através do estímulo a reflexões e práticas sociais transformadoras. Desde sua fundação, o Ceris vem desenvolvendo inúmeras atividades, entre as quais pesquisas sociais e religiosas, coleta de informações quantitativas sobre a realidade do país e da Igreja Católica, análise, monitoramento e avaliação de experiências populares e pastorais, assessoria a movimentos sociais e eclesiais, financiamento e apoio a pequenas iniciativas. O Ceris reúne uma equipe interdisciplinar de profissionais que procura seguir de perto os processos sociais mais dinâmicos e as novas práticas emergentes. Existem outras pastorais afins que trabalham com situações específicas e que têm um relacionamento privilegiado com o Setor. Destacamos, por exemplo, a Pastoral da Moradia, a Pastoral Universitária, a Pastoral Afro-brasileira, a Pastoral Política e a Pastoral da Juventude. Não fazem parte orgânica do Setor, mas desenvolvem atividades sociais em comum. E ainda outras entidades eclesiais que, embora não vinculadas diretamente ao Setor, costumam somar esforços em várias atividades de ordem mais geral. Podemos citar, entre elas, o CIMI – Conselho Indigenista Missionário, com atuação junto aos índios; a Coordenação Nacional de Direitos Humanos, na luta pela integridade e dignidade de toda pessoa; e a Comissão Brasileira de Justiça e Paz. Igualmente o CONIC – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs e a CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços desenvolvem atividades conjuntas com o Setor. Uma das preocupações da Pastoral Social no seu conjunto tem sido a questão do ecumenismo. A verdade mais profunda sobre o Reino de Deus não está com nenhuma denominação religiosa em particular, está no diálogo; não está aqui ou ali, está no caminho; não está no começo ou no fim da caminha, está no meio da travessia. Daí a importância do ecumenismo cristão e do diálogo com as religiões não cristãs. Nas atividades conjuntas do Setor, a parceria e o diálogo tem descortinado uma grande abertura para a contribuição de todas as forças dispostas à transformação sócio-política da sociedade em que vivemos, como analisaremos no capítulo 10, no item sobre parcerias. 5. Como surgem as Pastorais Sociais? Vamos a alguns exemplos. A CPT – Comissão Pastoral da Terra surge em 1975, a partir de um encontro eclesial sobre os desafios em torno da questão agrária e agrícola e do conseqüente êxodo rural. O SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes, é constituído em 1984, estimulado por três fatores: o trabalho secular junto aos migrantes; a Campanha da Fraternidade de 1980, com o lema “Para onde vais?”; mas sobretudo o grande volume de migrações internas nas décadas de 1970-80. Isto não quer dizer que o trabalho pastoral no campo e o trabalho com migrantes começaram, respectivamente em 1975 e 1984. Tanto um como outro têm mais de um século de presença da Igreja e de lutas concretas. No caso da questão fundiária, a história do Brasil registra inúmeras organizações de resistência no campo. Quanto à presença entre os migrantes, desde o final do século XIX, as Congregações Scalabrinianas, tanto masculina como feminina, já atuavam nesse campo da mobilidade humana interna e externa. As pastorais surgem, em geral, como um serviço de articulação nacional a uma série de atividades que se desenvolvem em determinada área específica. Normalmente estão relacionadas a um rosto bem definido, a uma certa categoria entre os pobres ou a um determinado quadro de abandono. Assim, como vimos, a Pastoral da Mulher Marginalizada procura acompanhar situações concretas que dizem respeito à situação da mulher; a Pastoral dos Nômades segue de perto a trajetória dos ciganos e dos trabalhadores de circos e parques de diversão; a Pastoral Operária marca presença junto às organizações de operários, acompanhando também desempregados e subempregados; a Pastoral dos Pescadores acompanha os trabalhadores que vivem da pesca... e assim por diante. Outras pastorais nascem e/ou ganham impulso redobrado a partir de alguma Campanha da Fraternidade. A CF de 1981, por exemplo, com o lema “Saúde para todos”, conferiu novo ardor à Pastoral da Saúde e a CF de 1997, que refletiu sobre a “Fraternidade e os Encarcerados”, trouxe novo alento à Pastoral Carcerária. Já a Pastoral do Povo da Rua ganha nova força a partir do Congresso Nacional dos Catadores de Material Reciclagem, realizado na capital federal, em junho de 2001. O mesmo vale, como vimos, para a os casos da Pastoral dos Migrantes, da Pastoral da Terra. Outras nascem ou se fortalecem diante de alguma situação mais gritante, ou de alguma ação mais ampla. Trazemos à lembrança um caso ilustrativo: as Pastorais da Criança e do Menor, por exemplo, embora tenham um grupo alvo comum, conservam realidades e objetivos distintos, o que confere a cada uma atividades bem específicas. Uma acompanha crianças e famílias carentes da gestação aos 6 anos de idade, na luta pela vida; outra, também na luta pela vida, acompanha os meninos e meninas de rua. Numa palavra, cada Pastoral Social identifica, entre a grande massa de excluídos, um rosto concreto ou um cenário específico e passa a marcar presença em seu meio. Aí realiza suas atividades de evangelização, sensibilização, conscientização e organização social, em vista da promoção integral da pessoa humana. A partir dessa intuição inicial, da escolha de seu carisma, podemos dizer assim, a Pastoral passa a estruturar-se em nível paroquial, diocesano, regional e nacional – quando então pode integrar o Setor Pastoral Social da CNBB. 6. Como organizar a Pastoral Social? A Pastoral Social organiza-se em todos os níveis eclesiais: nacional, regional, diocesano, paroquial e comunitário. A organização passa por alguns passos metodológicos, cuja seqüência não é rígida nem obrigatória. Mais importante que a regra é, sem dúvida, a criatividade e a espontaneidade locais. O primeiro passo é identificar quais os rostos – categorias marginalizadas e/ou situações sociais de extrema carência – mais pobres e excluídos em todos os níveis. Para cada face da exclusão, como vimos, existe uma pastoral social específica. E se não existe, é interessante criar um serviço de presença evangélica e de atuação pastoral, o qual, com o tempo, pode vir a se tornar uma nova pastoral social. O ponto de partida de qualquer ação é uma tomada de consciência da realidade local, com atenção especial para os grupos que mais sofrem o peso da exclusão. Esta conscientização da realidade pode ser feita através de visitas pastorais, de pesquisas e levantamentos ou de um trabalho científico, com assessoria de organismos apropriados. Um leitura social bem feita desencadeará, naturalmente, um processo de organização e mobilização. Passa-se então ao segundo passo: criação ou fortalecimento de uma equipe de base que acompanhe de perto essa situação específica ou categoria de pessoas marginalizadas. O conhecimento da realidade suscita agentes sensíveis à causa dos oprimidos e às exigências evangélicas. Essa equipe, como sugere o nome, é responsável pelo trabalho de base, de visita, de “formiguinha”. Marca presença nos lugares onde são identificados tais rostos. Por exemplo: equipe da Pastoral Carcerária, nos presídios; equipe da Pastoral do Menor, nas ruas; equipe da Pastoral da Terra junto aos trabalhadores rurais... e assim por diante. Tais equipes seguem de perto o cotidiano das pessoas, em suas condições de trabalho e salário, moradia, saúde, educação, etc. A partir dessa presença e acompanhamento, o terceiro passo é desenvolver atividades de apoio e solidariedade aos movimentos sociais e à luta por melhores condições de vida e trabalho, o que significa uma ação lenta e persistente de conscientização, organização e mobilização. Trata-se de um processo longo que exige dedicação permanente. Neste sentido, é importante disponibilizar recursos humanos e financeiros e espaços físicos, bem como emprestar a palavra aos pobres – “tornar-se voz dos que não têm voz”. Os salões paroquiais, as rádios comunitárias, os boletins diocesanos, a liturgia, a catequese – são alguns dos espaços que podem estar a serviço dos esforços conjuntos pela transformação sócio-econômica e política. Num quarto passo, as diversas equipes de base das pastorais específicas devem promover encontros conjuntos da Pastoral Social, reunindo-se com certa freqüência, seja em nível comunitário e paroquial, seja em nível diocesano e regional. Tais encontros servem para trocar experiências, traçar metas comuns e planejar atividades gerais, como por exemplo, o Grito dos Excluídos ou as Semanas Sociais Brasileiras. Nesta perspectiva, é imprescindível que cada pastoral específica esteja atenta ao calendário de eventos das demais pastorais, tais como o Dia do Trabalhador (1º de maio), o Dia de Luta da Mulher (8 de março), o Dia do Trabalhador Rural (25 de julho), e outros. O quinto passo diz respeito à integração entre as pastorais. Neste caso é necessário escolher lideranças e agentes que possam encontrar-se nos diversos níveis – desde a comunidade até o regional – para coordenar as ações conjuntas. É importante que cada paróquia, cada diocese e cada regional tenha uma pessoa responsável pela Pastoral Social, a qual, por sua vez, deve criar uma equipe que a assessore e ajude. Esta integração é responsável pela coordenação dos encontros do item anterior. Por fim, lembramos a articulação com o Setor Pastoral Social da CNBB. O Setor articula o conjunto das Pastorais Sociais e Organismos através de três vias distintas mas complementares: a) realizando, em nível nacional, encontros com representantes das coordenações de cada pastoral social específica; b) procurando incentivar e estimular as diversas instâncias da Igreja – como os regionais e dioceses – para a importância e a organização da Pastoral Social; c) promovendo e coordenando, em parceria com outros atores sociais, iniciativas de âmbito nacional, como por exemplo as Semanas Sociais Brasileiras. Todos esses passos, como veremos no capítulo 8, devem ser fortalecidos por uma espiritualidade encarnada, inculturada e libertadora. Além disso, requerem por parte dos agentes e lideranças uma formação e capacitação adequadas, seja do ponto de vista social, econômico, cultural e político, seja do ponto de vista bíblico e teológico, seja, ainda, no aprofundamento da Doutrina Social da Igreja. 7. Como se integram entre si as Pastorais Sociais? Embora cada Pastoral tenha um campo específico de atuação, o Setor tem procurado desenvolver atividades comuns. Estas têm um tríplice objetivo: reforçar a incidência e a eficácia da ação social da Igreja na sociedade; conferir maior visibilidade e influência a essa ação; e unir o conjunto das Pastorais numa integração e articulação permanentes. Aqui vale o princípio da unidade na pluralidade. Isto é, cada Pastoral têm uma tarefa intransferível junto a um setor específico da sociedade e, ao mesmo tempo, todas juntas desempenham uma tarefa comum enquanto Igreja do Brasil na sua dimensão social. O Setor Pastoral Social é o responsável para manter vivo este espaço de articulação: intercâmbio de experiências, soma de esforços e programação de atividades conjuntas. Através de encontros periódicos, o Setor garante a especificidade de cada Pastoral, por um lado, e a caminhada comum de seu conjunto, por outro. Daí a composição do Setor: um bispo responsável por toda a ação social da Igreja, dois assessores nacionais e uma secretaria executiva na sede da CNBB. Daí também um calendário mínimo de tarefas comuns a todas as Pastorais. Daí, ainda, um trabalho permanente de visita, acompanhamento e assessoria por parte dos responsáveis do Setor. Atividades de abrangência nacional ou regional têm contribuído para uma maior integração das Pastorais Sociais, sem que estas deixem de lado sua missão específica. Aliás, os compromissos em nível nacional passam, forçosamente, pela ação particular das Pastorais. Todo projeto global tem feições muito específicas, as quais exigem atenção especializada. A ação específica, por sua vez, ganha maior relevância quando projetada num raio mais amplo. Numa palavra, o trabalho localizado e o projeto geral se complementam e se enriquecem reciprocamente. 8. Quais os fundamentos e fontes de espiritualidade da Pastoral Social? A Pastoral Social é uma árvore que mergulha na terra suas raízes profundas. Delas vem a seiva que alimenta sua espiritualidade. Ao longo do caminho, a ação social abriu poços onde encontra a água viva que sustenta sua caminhada. As Pastorais Específicas, que formam os ramos dessa árvore, nutrem-se do alimento que vem do chão, sobe pelo tronco, transfigura-se ao contato com a luz solar e reforça-lhe a mística libertadora. Vejamos como João Paulo II, na Novo Millennio Ineunte, integra a fé o compromisso com a transformação da sociedade: “Essa vertente ético-social é uma dimensão imprescindível do testemunho cristão: há que rejeitar a tentação de uma espiritualida
EQUIPE

Integrantes:
Loretta Ondina Pigatto Sartori
Patricia de Vito Borges
Sonia Borges
Denize Matarazzo.
Coordenador(es):
Loretta Ondina Pigatto Sartori.
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